{"id":1136,"date":"2016-09-30T22:43:53","date_gmt":"2016-10-01T01:43:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=1136"},"modified":"2026-04-10T08:42:26","modified_gmt":"2026-04-10T11:42:26","slug":"em-areas-de-commodities-indices-de-malformados-e-300-acima-da-media-diz-defensor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/em-areas-de-commodities-indices-de-malformados-e-300-acima-da-media-diz-defensor\/","title":{"rendered":"Em \u00e1reas de commodities, \u00edndices de malformados \u00e9 300% acima da m\u00e9dia, diz defensor"},"content":{"rendered":"<h4>Marcelo Novaes, da Defensoria P\u00fablica, \u00e9 membro do F\u00f3rum Paulista de Combate ao Impacto dos Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos<\/h4>\n<pre><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/300916_alimentos-veneno.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1137 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/300916_alimentos-veneno.jpg\" alt=\"300916_alimentos-veneno\" width=\"341\" height=\"227\" \/><\/a>\r\nCenoura tem cerca de 48,9% de veneno em sua composi\u00e7\u00e3o \/ Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos, o Brasil \u00e9 l\u00edder mundial no uso de agrot\u00f3xicos e muitas subst\u00e2ncias vetadas em outros pa\u00edses continuam sendo vendidas aqui. O consumo m\u00e9dio mensal per capita \u00e9 de 5,2 kg de veneno agr\u00edcola no pa\u00eds. S\u00f3 o estado de S\u00e3o Paulo consome cerca de 4% de todo veneno produzido no mundo.<\/p>\n<p>Malforma\u00e7\u00f5es, intoxica\u00e7\u00f5es, alguns tipos de c\u00e2ncer e empobrecimento e contamina\u00e7\u00f5es do solo s\u00e3o alguns dos efeitos graves atribu\u00eddos ao uso massivo dessas subst\u00e2ncias na agricultura. Trabalhadores rurais e moradores do entorno de fazendas fazem parte dos grupos de risco mais alto.<\/p>\n<p>Para debater os impactos o uso de agrot\u00f3xicos, analisar seus impactos, estabelecer estrat\u00e9gias de fiscaliza\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o institucional no combate ao uso inadequado dessas subst\u00e2ncias no estado de S\u00e3o Paulo foi criado no fim de agosto o F\u00f3rum Paulista de Combate ao Impacto dos Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos.<\/p>\n<p>Grupos de defesa do consumidor, representantes da Defensoria P\u00fablica do Estado, da Defensoria da Uni\u00e3o, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, pesquisadores, organiza\u00e7\u00f5es sociais, como a Alian\u00e7a pela \u00c1gua, e sindicais, como a CUT, integram o f\u00f3rum.<\/p>\n<p>Marcelo Novaes, representante da Defensoria P\u00fablica Estadual de S\u00e3o Paulo no f\u00f3rum, comenta em entrevista ao Brasil de Fato os principais efeitos socioambientais dos agrot\u00f3xicos no estado. Com base em dados levantados pelo Observat\u00f3rio de Sa\u00fade Ambiental, Novaes associa o crescimento das taxas de c\u00e2ncer ao uso indevido desses produtos.<\/p>\n<p>&#8220;De 2000 a 2013, a taxa de preval\u00eancia m\u00e9dia de malforma\u00e7\u00f5es no estado foi de 7,8 [para cada 100 mil nascidos vivos] e, em algumas cidades do interior, inseridas em um territ\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o de cana, caf\u00e9, soja, os \u00edndices se aproximavam de 24, o triplo do que existia em Cubat\u00e3o. Os estudos apontam que em 70% dos casos de malforma\u00e7\u00e3o a raz\u00e3o decorre de problemas ambientais e n\u00e3o de problemas de transfer\u00eancia de carga gen\u00e9tica&#8221;, diz.<\/p>\n<p><em>Confira a seguir a entrevista completa:<\/em><\/p>\n<p><strong>Como se configura o F\u00f3rum Paulista de Combate aos Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos?<\/strong><\/p>\n<p>Marcelo Novaes &#8211; Esse f\u00f3rum foi organizado para sincronizar entre algumas institui\u00e7\u00f5es na luta contra os agrot\u00f3xicos as informa\u00e7\u00f5es sobre o que est\u00e1 sendo feito em cada uma delas. Buscamos tamb\u00e9m fazer um interc\u00e2mbio com as atividades acad\u00eamicas e, assim, reunir os institutos de pesquisa e buscar o apoio da sociedade civil. H\u00e1 a necessidade de que essas informa\u00e7\u00f5es sejam expostas para a popula\u00e7\u00e3o e essa se mobilize.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum \u00e9 aberto e democr\u00e1tico. S\u00e3o basicamente seis coordenadorias, com integrantes de in\u00fameras entidades e institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, al\u00e9m de um representante da sociedade civil. Acreditamos que o debate da fiscaliza\u00e7\u00e3o, controle e coibi\u00e7\u00e3o do uso ilegal e irrestrito dos agrot\u00f3xicos deve ser feito no aspecto social, jur\u00eddico e cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>No lan\u00e7amento do F\u00f3rum voc\u00eas discutiram os dados do Observat\u00f3rio de Sa\u00fade Ambiental. Quais os principais temas levantados?<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Observat\u00f3rio de Sa\u00fade Ambiental mostra que, em alguns munic\u00edpios do interior de S\u00e3o Paulo, as taxas de nascidos com malforma\u00e7\u00e3o chega a ser 300% superior \u00e0 m\u00e9dia estadual. Todos esses munic\u00edpios t\u00eam em comum o fato de estarem inseridos em zonas de produ\u00e7\u00e3o de commodities agr\u00edcolas, onde h\u00e1, por consequ\u00eancia, uma grande utiliza\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. O Brasil \u00e9 campe\u00e3o mundial do uso de agrot\u00f3xicos, e s\u00f3 o estado de S\u00e3o Paulo usa cerca de 4% de todo o agrot\u00f3xico produzido no mundo.<\/p>\n<p>De 2000 a 2013, a taxa de preval\u00eancia m\u00e9dia de malforma\u00e7\u00f5es no estado foi de 7,8 para cada 100 mil nascidos vivos e, em algumas cidades do interior, inseridas em um territ\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o de cana, caf\u00e9, soja, os \u00edndices se aproximavam de 24, o triplo do que existia em Cubat\u00e3o. Os estudos apontam que em 70% dos casos de malforma\u00e7\u00e3o a raz\u00e3o decorre de problemas ambientais e n\u00e3o de problemas de transfer\u00eancia de carga gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>Pela pr\u00f3pria natureza dos agrot\u00f3xicos, que s\u00e3o biocidas, perigosos e que exigem cautela no seu manuseio, obviamente sua utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala provocaria efeitos delet\u00e9rios. O que o estudo prova \u00e9 que essas consequ\u00eancias n\u00e3o est\u00e3o por vir, elas j\u00e1 chegaram h\u00e1 muito tempo. Todos n\u00f3s estamos expostos a isso em raz\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos alimentos. Cerca de 30% dos alimentos consumidos pela popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o impr\u00f3prios. Eles n\u00e3o poderiam ser destinados nem para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00e3o animal. Eles deveriam ser incinerados.<\/p>\n<p>Levantamos tamb\u00e9m a quest\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea, que \u00e9 proibida ou vista com s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es na comunidade europ\u00e9ia, e tem previs\u00e3o de abandono no ano de 2017. E, aqui no Brasil, principalmente em S\u00e3o Paulo, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito preocupante.<\/p>\n<p>No estado, temos 48 empresas de avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcolas registradas no Minist\u00e9rio da Agricultura, que juntas pulverizaram uma \u00e1rea correspondente a 11,82% do territ\u00f3rio paulista somente em 2015. \u00c9 como se pegasse o mapa de S\u00e3o Paulo e apagasse o Vale do Para\u00edba, a Baixada Santista e a Grande S\u00e3o Paulo, com produtos banidos em outros pa\u00edses em raz\u00e3o de seus efeitos mutag\u00eanicos e cancer\u00edgenos.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os grupos mais atingidos?<\/strong><\/p>\n<p>Em tese, os grupos mais atingidos seriam os profissionais da sa\u00fade, que manuseiam agrot\u00f3xicos utilizados no combate aos vetores de algumas epidemias; os trabalhadores da agricultura; os trabalhadores das ind\u00fastrias que manuseiam e formulam esses produtos; e de uma maneira gen\u00e9rica, toda a popula\u00e7\u00e3o que consome os alimentos contaminados. O que esse estudo demonstrou \u00e9 que existe um outro grupo, que \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o interiorana que mora em munic\u00edpios onde a fronteira entre o rural e o urbano \u00e9 muito t\u00eanue.<\/p>\n<p>Temos den\u00fancias de cidades em que 8% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 em tratamento de c\u00e2ncer, como Coronel Macedo, por exemplo. O munic\u00edpio de Bento de Abreu \u00e9 o campe\u00e3o paulista na taxa de preval\u00eancia m\u00e9dia de c\u00e2ncer de enc\u00e9falo no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Esses dados mostram que o agroneg\u00f3cio, da maneira que est\u00e1 sendo praticado, deixa um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e morte no interior. Os agrot\u00f3xicos n\u00e3o s\u00e3o defensivos agr\u00edcolas, n\u00e3o s\u00e3o agroqu\u00edmicos, n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es modernas para a agricultura, n\u00e3o s\u00e3o subst\u00e2ncias &#8220;amigas&#8221; das pessoas e das plantas. S\u00e3o subst\u00e2ncias intrinsecamente t\u00f3xicas.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea avalia as pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>O que podemos observar \u00e9 que h\u00e1 um retrocesso nas pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais que n\u00e3o surgiu agora mas que vem se acentuando de maneira acelerada.<\/p>\n<p>Uma das primeiras leis assinadas pelo novo governo foi a autoriza\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas nas cidades para o combate do mosquito da dengue, mesmo com todas as manifesta\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias [de profissionais] da \u00e1rea da sa\u00fade. Tudo sem nenhuma justificativa cient\u00edfica, sanit\u00e1ria ou t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, temos o PL dos agrot\u00f3xicos [3200\/15], que \u00e9 extremamente preocupante, n\u00e3o s\u00f3 pelo troca do nome de agrot\u00f3xico por fitossanit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m porque o controle do que vai ser usado no pa\u00eds deixa de ter a interfer\u00eancia das \u00e1reas de meio ambiente e de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Somado a isso, temos um projeto [4059\/12] que permite a aquisi\u00e7\u00e3o de terras por estrangeiros, o que atenta contra a soberania nacional. O projeto possibilita que o mercado financeiro, por exemplo, seja propriet\u00e1rios de extensas \u00e1reas em nosso pa\u00eds sem nenhuma responsabilidade socioambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\"><em><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Edi\u00e7\u00e3o: Camila Rodrigues da Silva<\/span><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\"><em><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Por: Nadine Nascimento<\/span><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\"><em><span style=\"font-family: georgia, palatino, serif;\">Fonte: <a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2016\/09\/30\/em-areas-de-commodities-indices-de-malformados-e-300-acima-da-media-diz-defensor\/\" target=\"_blank\">Jornal Brasil de Fato<\/a><\/span><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Novaes, da Defensoria P\u00fablica, \u00e9 membro do F\u00f3rum Paulista de Combate ao Impacto dos Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos Cenoura tem<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1137,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[223,35,34],"class_list":["post-1136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-agronegocio","tag-alimentacao","tag-veneno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1136"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1142,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1136\/revisions\/1142"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}