{"id":1331,"date":"2017-03-17T18:31:02","date_gmt":"2017-03-17T21:31:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=1331"},"modified":"2026-04-10T08:43:48","modified_gmt":"2026-04-10T11:43:48","slug":"a-lista-suja-que-o-governo-nao-quer-divulgar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/a-lista-suja-que-o-governo-nao-quer-divulgar\/","title":{"rendered":"A lista suja que o governo n\u00e3o quer divulgar"},"content":{"rendered":"<h3>Nova decis\u00e3o judicial obriga Minist\u00e9rio do Trabalho a divulgar nomes dos autuados por trabalho escravo. ONG Rep\u00f3rter Brasil obteve lista com autua\u00e7\u00f5es em que constam nomes de 250 estabelecimentos<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde dezembro do ano passado at\u00e9 agora o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e o governo federal, j\u00e1 na administra\u00e7\u00e3o do presidente Michel Temer (PMDB), t\u00eam travado uma batalha judicial. De um lado, os procuradores querem garantir a publica\u00e7\u00e3o da lista suja, que foi implementada em 2003 e deu reconhecimento internacional ao Brasil por a\u00e7\u00f5es de combate ao trabalho for\u00e7ado. Do outro, o governo alega que \u00e9 preciso assegurar o amplo direito de defesa e que por isso analisa mudan\u00e7as na portaria que define os crit\u00e9rios para inclus\u00e3o dos nomes na lista.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira (14\/03), em mais um cap\u00edtulo do embate, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho conseguiu liminar em mandado de seguran\u00e7a para que a lista seja publicada pelo governo. A decis\u00e3o foi do ministro\u00a0 do Tribunal Superior do Trabalho Alberto Luiz Bresciani. Ela contesta uma outra decis\u00e3o tomada tamb\u00e9m no \u00e2mbito do TST, pelo ministro Ives Gandra, que preside a corte. Gandra concedeu liminar ao governo federal.<\/p>\n<p>Essa decis\u00e3o de Gandra havia impedido a publica\u00e7\u00e3o da lista e foi concedida exatamente no \u00faltimo dia do prazo estabelecido pela Justi\u00e7a do Trabalho, em Bras\u00edlia, para que a Uni\u00e3o revelasse quais estabelecimentos foram flagrados e autuados por cometer a pr\u00e1tica da escravid\u00e3o contempor\u00e2nea.\u00a0O Minist\u00e9rio do Trabalho e a Advocacia-Geral da Uni\u00e3o n\u00e3o informaram \u00e0 reportagem da DW Brasil se v\u00e3o recorrer da \u00faltima decis\u00e3o do TST.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Regras novas na lista<\/strong><\/p>\n<p>A portaria que define as regras para inclus\u00e3o dos nomes na lista foi modificada em maio de 2016, no \u00faltimo dia de governo da ent\u00e3o presidente Dilma Rousseff. Pelas regras novas, foi criado um tipo de autua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o trabalho escravo.<\/p>\n<p>A portaria permite que o citado possa fazer um Termo de Ajustamento de Conduta ou acordo com o governo. Se firmar o acordo, ele fica em observa\u00e7\u00e3o. O nome constaria na lista, mas nesta outra categoria, porque revela a inten\u00e7\u00e3o do empregador de melhorar o ambiente de trabalho em sua propriedade ou empreendimento. Ainda assim, o atual governo alega que quer revisar essa portaria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os escravos contempor\u00e2neos<\/strong><\/p>\n<p>A ONG Rep\u00f3rter Brasil conseguiu, com base na Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, <a href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Lista-de-Transpar%C3%AAncia_-dez2014-2016.pdf\" target=\"_blank\">uma lista<\/a> do Minist\u00e9rio do Trabalho em que constam nomes de empreiteiras, sider\u00fargicas, carvoarias, grandes propriedades de pecuaristas, ind\u00fastrias t\u00eaxteis autuadas desde 2014, quando a publica\u00e7\u00e3o da lista suja\u00a0foi suspensa, por manter trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Enquanto a \u00edntegra da lista n\u00e3o \u00e9 divulgada, a &#8220;Lista da Transpar\u00eancia&#8221;, da ONG, auxilia a manter a transpar\u00eancia do debate.<\/p>\n<p>No cadastro do minist\u00e9rio, a lista suja, antes de os nomes serem divulgados, os flagrados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho podem recorrer em duas inst\u00e2ncias. \u00c9 por essa raz\u00e3o que os procuradores afirmam que em hip\u00f3tese alguma h\u00e1 cerceamento de defesa, como interpreta o atual ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Agropecu\u00e1ria Novo Horizonte S.A \u00e9 o estabelecimento que teve o maior n\u00famero de trabalhadores flagrados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o: 348. Uma propriedade do empres\u00e1rio Nelson Lu\u00eds Slaviero, no Paran\u00e1, tamb\u00e9m entrou para a lista em 2016. O Grupo Slaviero tem empreendimentos automotivos, madeireiros, agropecu\u00e1rio, de reflorestamento e cimento no sul do Brasil. Empreiteiras, como a MRV Engenharia, NRT Engenharia e RM Empreiteira e Locadora, Milplan Engenharia e Constru\u00e7\u00f5es, JD Constru\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o citadas. As sider\u00fargicas s\u00e3o outro ramo bastante recorrente na lista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"col2\">\n<div class=\"group\">\n<div class=\"standaloneWrap\">\n<div class=\"imgTeaserM video\" data-media-id=\"18750944\">\n<div class=\"mediaItem\" data-media-id=\"18750944\">\n<div class=\"teaserContentWrap information\">\n<h2>Trabalho semiescravo nos campos da It\u00e1lia<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/trabalho-semiescravo-nos-campos-da-it%C3%A1lia\/av-18750944\" target=\"_blank\">Clique aqui para assistir ao v\u00eddeo<\/a><\/p>\n<p>H\u00e1, hoje, mais de 45 milh\u00f5es de trabalhadores sujeitos \u00e0 escravid\u00e3o moderna. No Brasil, desde 1995,\u00a0 mais de 52 mil pessoas foram &#8220;libertadas&#8221; ap\u00f3s flagradas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em canteiros de obras, carvoarias, fazendas, oficinas t\u00eaxteis e propriedades agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Nesta semana, fiscais do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho flagraram trabalhadores numa fazenda no Pantanal em situa\u00e7\u00e3o chocante. Um idoso vivia h\u00e1 mais de 20 anos no local sem receber sal\u00e1rio, sem condi\u00e7\u00f5es de higiene. Bebia \u00e1gua suja, fazia as necessidades no mato. Outros tr\u00eas homens mais novos\u00a0viviam em sitau\u00e7\u00e3o semelhante.<\/p>\n<p>Em 1995 o Brasil admitiu perante a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) a exist\u00eancia de trabalho escravo contempor\u00e2neo no territ\u00f3rio nacional. Em 2003, com o lan\u00e7amento do Plano Nacional de Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo e a implementa\u00e7\u00e3o da lista suja, o Brasil ganhou lugar de destaque internacional no combate \u00e0 escravid\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'andale mono', monospace; font-size: 10pt;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt-br\/a-lista-suja-que-o-governo-n%C3%A3o-quer-divulgar\/a-37955614\" target=\"_blank\">dw.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova decis\u00e3o judicial obriga Minist\u00e9rio do Trabalho a divulgar nomes dos autuados por trabalho escravo. 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