{"id":1392,"date":"2017-05-16T20:16:05","date_gmt":"2017-05-16T23:16:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=1392"},"modified":"2026-04-10T08:44:09","modified_gmt":"2026-04-10T11:44:09","slug":"o-13o-veio-de-uma-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/o-13o-veio-de-uma-greve-geral\/","title":{"rendered":"O 13\u00ba veio de uma greve geral"},"content":{"rendered":"<h3>H\u00e1 que se lembrar da greve geral de 1962 para sabermos que os direitos de hoje s\u00e3o frutos de lutas de ontem<\/h3>\n<pre><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/150517-13salario-greve-geral.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1393\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/150517-13salario-greve-geral.jpg\" alt=\"150517-13salario-greve-geral\" width=\"450\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/150517-13salario-greve-geral.jpg 450w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/150517-13salario-greve-geral-300x264.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>\r\n<\/a><span style=\"font-size: 10pt;\">Jornal \"O Globo\" se posiciona contra o projeto de lei que institu\u00edra o 13\u00ba sal\u00e1rio, em 1962<\/span><\/pre>\n<p><strong>Quando voc\u00ea receber seu 13\u00ba sal\u00e1rio \u2013 se o governo Temer n\u00e3o acabar com ele \u2013 saiba que esse direito foi resultado de uma greve geral, em 05 de julho de 1962.<\/strong><\/p>\n<p>O 13\u00ba sal\u00e1rio n\u00e3o era, at\u00e9 a\u00ed, uma obriga\u00e7\u00e3o legal. Certas empresas, especialmente grandes estatais e multinacionais, j\u00e1 o pagavam \u2013 algumas, menos que o sal\u00e1rio mensal. A grande maioria dos empregadores, por\u00e9m, n\u00e3o o fazia at\u00e9 que o Congresso Nacional aprovasse, uma semana ap\u00f3s a greve, a Lei 4090\/62, estabelecendo sua obrigatoriedade. As associa\u00e7\u00f5es patronais anunciaram o fim do mundo: a lei seria demag\u00f3gica, populista e irrespons\u00e1vel, t\u00edpica de \u201cagitadores\u201d que mergulhariam o pa\u00eds no comunismo; n\u00e3o era por m\u00e1 vontade, insistiam, que n\u00e3o se pagava o 13\u00ba \u2013 era por impossibilidade, ele desestabilizaria a economia, quebraria as empresas, traria desemprego. Quando o projeto de lei ainda estava em discuss\u00e3o no Congresso, o jornal \u201cO Globo\u201d estampou: \u201cConsiderado desastroso para o pa\u00eds um m\u00eas de 13\u00ba sal\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>O desastre, \u00e9 claro, n\u00e3o veio. Pelo contr\u00e1rio, o 13\u00ba, plenamente incorporado \u00e0 sociedade nacional, injeta, desde ent\u00e3o, recursos na economia. Mas foi ferozmente combatido por um discurso que brandia \u201cresponsabilidade\u201d e argumentos t\u00e9cnico-econ\u00f4micos para disfar\u00e7ar a explora\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho. Como sempre.<\/p>\n<p>A greve, deflagrada 18 dias ap\u00f3s o Brasil conquistar o bicampeonato mundial de futebol \u2013 o que desmente an\u00e1lises rasteiras que vinculam os sucessos no futebol a uma \u201capatia s\u00f3cio-pol\u00edtica\u201d da popula\u00e7\u00e3o \u2013, afetou sobretudo empresas estatais ou sob controle do governo, embora o setor privado n\u00e3o tenha passado inc\u00f3lume. Nos transportes, ferrovias, bancos e portos a paralisa\u00e7\u00e3o foi expressiva, assim como nas refinarias e distribuidoras da Petrobras. Cruzaram os bra\u00e7os trabalhadores de S\u00e3o Paulo, Fortaleza, Bel\u00e9m, Recife, Salvador, Campina Grande, Vit\u00f3ria, Santos, Cubat\u00e3o, Belo Horizonte, Paranagu\u00e1, Itaja\u00ed, Crici\u00fama, entre outras.<\/p>\n<p>Mas, no Rio de Janeiro o movimento teve o alcance mais profundo \u2013 e mais tr\u00e1gico. L\u00e1 a paralisa\u00e7\u00e3o foi majorit\u00e1ria entre os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, de telefonia, gr\u00e1ficos e t\u00eaxteis, e praticamente total entre os banc\u00e1rios, aerovi\u00e1rios, rodovi\u00e1rios, metal\u00fargicos e trabalhadores de transportes como os carris (bondes) e ferrovi\u00e1rios da Central do Brasil. Por conta da greve destes \u00faltimos, a popula\u00e7\u00e3o da baixada fluminense que se dirigia ao trabalho, na manh\u00e3 de 5 de julho, ficou sem condu\u00e7\u00e3o. A insatisfa\u00e7\u00e3o do momento, somada \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica com as car\u00eancias da vida, levou a saques e depreda\u00e7\u00f5es de casas comerciais. Pegos de surpresa, os comerciantes, a princ\u00edpio, pouco puderam fazer. \u00c0 tarde, quando as for\u00e7as policiais chegaram, mataram mais de 50 pessoas. Esse \u201cmotim da fome\u201d, como a imprensa chamou o acontecido, deixou na baixada outro saldo triste: os grupos de exterm\u00ednio. Segundo o soci\u00f3logo Jos\u00e9 Carlos Alves, ao perceberem que os clientes e moradores poderiam, de uma hora para outra, virar saqueadores, devido \u00e0 sua mis\u00e9ria, grupos de comerciantes locais criaram, com apoio de alguns policiais, o primeiro grupo de exterm\u00ednio, batizado Vigilantes da Ordem.<\/p>\n<p>A greve teve, tamb\u00e9m, um objetivo explicitamente pol\u00edtico: impedir, dentro do regime parlamentarista da \u00e9poca, a forma\u00e7\u00e3o de um gabinete conservador e, como dizia o jarg\u00e3o nacionalista, \u201centreguista\u201d. Meses depois outra greve geral reivindicou a antecipa\u00e7\u00e3o do plebiscito que decidiria sobre a continua\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o do parlamentarismo. Esse crescimento e politiza\u00e7\u00e3o do movimento obreiro alarmou sobremaneira as classes dominantes, e foi, certamente, um dos fatores do golpe de 1964. A direita, portanto, n\u00e3o fala dessas greves. E para o chamado \u201cnovo sindicalismo\u201d, que surgiu no fim dos anos 1970, todo o sindicalismo de 1946 a 1964 era \u201cpelego\u201d.<\/p>\n<p>A greve de 1962, que nos trouxe o 13\u00ba sal\u00e1rio, permanece, assim, quase esquecida. H\u00e1 que lembr\u00e1-la, para sabermos que os direitos de hoje s\u00e3o frutos de lutas de ontem, e que se n\u00e3o continuarmos a lutar, amanh\u00e3 teremos nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'andale mono', monospace; font-size: 10pt;\">Por: Rubens Goyat\u00e1 Campante*<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'andale mono', monospace; font-size: 10pt;\">*Rubens Goyat\u00e1 Campante \u00e9 doutor em sociologia pela UFMG e pesquisador do N\u00facleo de Pesquisas da Escola Judicial do TRT-3\u00aa Regi\u00e3o.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-family: 'andale mono', monospace; font-size: 10pt;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/05\/03\/o-13o-veio-de-uma-greve-geral\/\" target=\"_blank\">Jornal Brasil de Fato<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 que se lembrar da greve geral de 1962 para sabermos que os direitos de hoje s\u00e3o frutos de lutas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1393,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[179,139],"class_list":["post-1392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-direito-trabalhista","tag-greve-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1392"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1394,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392\/revisions\/1394"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}