{"id":1409,"date":"2017-06-01T13:49:01","date_gmt":"2017-06-01T16:49:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=1409"},"modified":"2017-06-01T13:50:03","modified_gmt":"2017-06-01T16:50:03","slug":"chacina-em-pau-darco-tem-as-mesmas-raizes-do-massacre-de-carajas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/chacina-em-pau-darco-tem-as-mesmas-raizes-do-massacre-de-carajas\/","title":{"rendered":"Chacina em Pau D&#8217;Arco tem as mesmas ra\u00edzes do massacre de Caraj\u00e1s"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>For\u00e7a policial sempre esteve aliada ao latif\u00fandio no sul e no sudeste da Par\u00e1, diz advogado da CPT<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O trabalhador rural Iranildo Porto, 55, vive h\u00e1 nove anos no acampamento Campina Verde, em Reden\u00e7\u00e3o (PA), e est\u00e1 preocupado com o que poder\u00e1 acontecer com os camponeses que moram em acampamentos rurais na regi\u00e3o do sudeste do Par\u00e1 ap\u00f3s a chacina que matou dez pessoas na \u00faltima quarta-feira (24) na fazenda Santa L\u00facia, em Pau D\u2019Arco, cidade pr\u00f3xima de onde mora. As mortes de nove homens e uma mulher ocorreram durante uma opera\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente v\u00ea o que aconteceu com os nossos companheiros, ficamos preocupados. Porque tem v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es: tem a quest\u00e3o agr\u00e1ria, que nunca acontece, que cabe ao governo federal. Existe um processo de desapropria\u00e7\u00e3o? Existe. Ela \u00e9 legal, mas precisa ser feita dentro da legalidade\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Porto \u00e9 presidente da associa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do acampamento onde vive, que re\u00fane 215 fam\u00edlias (com cerca de 50 crian\u00e7as), h\u00e1 nove anos. Ele tem medo que a mesma trag\u00e9dia possa acontecer no acampamento onde mora.<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es para o receio de Porto: segundo a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), a viol\u00eancia no campo cresceu 26% de 2015 a 2016, e o massacre de Pau D&#8217;Arco tem muitas semelhan\u00e7as com o de Caraj\u00e1s, que ocorreu em 1996 e vitimou 19 trabalhadores rurais sem-terra na mesma regi\u00e3o do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo o advogado da CPT Jos\u00e9 Batista, h\u00e1 um elemento nos dois massacres que comungam entre sim: tratar a quest\u00e3o agr\u00e1ria como caso de pol\u00edcia, que age na regi\u00e3o com liberdade para tomar medidas violentas amparadas pelo compasso da impunidade.<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise, Batista tra\u00e7a um paralelo nos casos e observa que a a\u00e7\u00e3o das Pol\u00edcias Militar e Civil da regi\u00e3o est\u00e1, mais uma vez, aliada aos interesses dos grandes propriet\u00e1rios de terras. \u201cEm muitas situa\u00e7\u00f5es, policiais trabalham como seguran\u00e7a de fazendas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Batista pondera que, no caso de Pau D\u2019Arco, existem novos elementos, j\u00e1 que as ocupa\u00e7\u00f5es realizadas nos \u00faltimos anos contaram com o apoio de novos movimentos do campo e atuam de forma independente.<\/p>\n<p>Ele estima que, atualmente, haja mais de 160 acampamentos em \u00e1rea rurais nas regi\u00f5es do sul e sudeste do Par\u00e1. Algumas delas s\u00e3o ocupadas por grupos menores de fam\u00edlias \u2013 o que, em sua an\u00e1lise, exp\u00f5em os trabalhadores a uma maior vulnerabilidade de a\u00e7\u00f5es de pistoleiros.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado por ele \u00e9 que em Pau D\u2019Arco a a\u00e7\u00e3o policial para o cumprimento dos mandados judiciais, segundo os depoimentos das testemunhas, tinha como objetivo surpreender os trabalhadores. Contudo mais uma vez, assim como em Eldorado, o massacre que vitimou os dez sem-terra foi um recado e uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a do poder do latif\u00fandio na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cUm recado de &#8216;n\u00e3o incomodem, n\u00e3o ocupem e n\u00e3o causem preju\u00edzos ao latif\u00fandio dessa regi\u00e3o&#8217;. Essas s\u00e3o as raz\u00f5es que est\u00e3o por tr\u00e1s de um ato t\u00e3o violento como foi esse aqui\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Por sua vez, o agricultor Iranildo Porto ainda acredita que a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a reforma agr\u00e1ria, mas n\u00e3o vislumbra que isso possa acontecer no atual cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cA reforma agr\u00e1ria \u00e9 a sa\u00edda para acabar com o conflito agr\u00e1rio hoje. A gente cr\u00ea que ter um peda\u00e7o de terra para sobreviver \u00e9 bom. \u00c9 a \u00fanica coisa que vai nos alimentar, porque a gente n\u00e3o tem profiss\u00e3o; nascemos agricultores e vamos morrer agricultores. Mas, por outro lado, a gente vive um momento dif\u00edcil, em que n\u00e3o sabemos em quem acreditar e se podemos confiar no governo\u201d, pondera.<\/p>\n<p><strong>Ra\u00edzes hist\u00f3ricas<\/strong><\/p>\n<p>Batista argumenta que viol\u00eancia policial contra trabalhadores sem-terra possui ra\u00edzes hist\u00f3ricas na regi\u00e3o. Ele lembra que a Guerrilha do Araguaia, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, agravou ainda mais esse cen\u00e1rio. \u201cFoi quando o ex\u00e9rcito massacrou um grupo de guerrilheiros do PCdoB que organizava a guerrilha rural na regi\u00e3o do Pico do Papagaio\u201d, relembra.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s esses acontecimentos [Guerrilha do Araguaia], trabalhadores rurais e suas lideran\u00e7as passaram a ser sistematicamente perseguidos, espionados e, muitas vezes, presos injustamente pelo Ex\u00e9rcito e pelas pol\u00edcias civil e militar\u201d.<\/p>\n<p>O advogado da CPT aponta ainda que essa rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das for\u00e7as armadas com o latif\u00fandio criou no meio das corpora\u00e7\u00f5es policiais \u201cuma avers\u00e3o forte ao movimento social, principalmente a trabalhadores rurais sem-terra\u201d:<\/p>\n<p>\u201cQuando ocorria algum conflito coletivo pela posse da terra, geralmente as lideran\u00e7as eram mapeadas. Muitas vezes, manchetes de jornais afirmavam que ali poderia ser um ressurgimento da Guerrilha do Araguaia, para justificar o emprego da viol\u00eancia por parte da pol\u00edcia contra os trabalhadores rurais\u201d.<\/p>\n<p>Ele explica, por fim, que, com a chegada do MST na regi\u00e3o, a luta pela reforma agr\u00e1ria passou a ser p\u00fablica. Em vez de pequenos grupos de trabalhadores rurais, \u201ccentenas e milhares de fam\u00edlias\u201d ocupavam fazendas improdutivas, o que dificultou a a\u00e7\u00e3o de pistoleiros na regi\u00e3o. Como o movimento come\u00e7ou a representar um perigo aos interesses do latif\u00fandio, era preciso dar um freio.<\/p>\n<p>\u201cO objetivo do massacre dos Caraj\u00e1s era impedir que o movimento sem-terra se territorializasse aqui na regi\u00e3o. Era impor uma derrota no MST\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: 'andale mono', monospace;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/05\/31\/chacina-em-pau-darco-tem-as-mesmas-raizes-do-massacre-de-carajas\/\" target=\"_blank\">Brasil de Fato | Marab\u00e1 (PA)<\/a><\/span><\/em><br \/>\n<em><span style=\"font-family: 'andale mono', monospace;\">Por: Camila Rodrigues da Silva \/ Lilian Campelo<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>For\u00e7a policial sempre esteve aliada ao latif\u00fandio no sul e no sudeste da Par\u00e1, diz advogado da CPT O trabalhador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1410,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[250,259,248,247,195],"class_list":["post-1409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-cpt","tag-massacre","tag-mst","tag-reforma-agraria","tag-repressao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1409"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1412,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1409\/revisions\/1412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}