{"id":1835,"date":"2018-04-12T11:47:18","date_gmt":"2018-04-12T14:47:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=1835"},"modified":"2018-04-14T11:52:24","modified_gmt":"2018-04-14T14:52:24","slug":"agrotoxicos-agua-e-alimentos-o-que-ja-existe-de-controle-e-o-muito-que-falta-fazer-nesta-area","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/agrotoxicos-agua-e-alimentos-o-que-ja-existe-de-controle-e-o-muito-que-falta-fazer-nesta-area\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos, \u00e1gua e alimentos: o que j\u00e1 existe de controle e o (muito) que falta fazer nesta \u00e1rea"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_411066\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_411066\" aria-describedby=\"caption-attachment-411066\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"jetpack-lazy-image--handled wp-image-411066 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180406-laboratorioagua.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180406-laboratorioagua.jpg 800w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180406-laboratorioagua-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180406-laboratorioagua-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180406-laboratorioagua-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-411066\" class=\"wp-caption-text\">Legisla\u00e7\u00e3o nacional prev\u00ea um controle sobre 27 subst\u00e2ncias na \u00e1gua. O RS incluiu outros 46 ingredientes ativos para serem monitorados. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Fepps)<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo dados do DataSus, banco de informa\u00e7\u00f5es do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a cada ano, morrem, em m\u00e9dia, cerca de 790 pessoas no Brasil, v\u00edtimas de \u00a0intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos. Esse n\u00famero, por\u00e9m, deve ser bem maior em fun\u00e7\u00e3o do baixo \u00edndice de notifica\u00e7\u00e3o desse tipo de intoxica\u00e7\u00e3o nos hospitais e unidades de sa\u00fade. A estimativa das autoridades da \u00e1rea da sa\u00fade \u00e9 de que, para cada caso notificado, 50 n\u00e3o o s\u00e3o. A maioria dos casos listados pelo DataSus referem-se a casos de intoxica\u00e7\u00e3o direta de trabalhadores que manuseiam agrot\u00f3xicos ou de outras pessoas que s\u00e3o expostas diretamente a esses produtos. A subnotifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um problema para avaliar a quantidade de casos cr\u00f4nicos de contamina\u00e7\u00e3o, ou seja, quando esta se d\u00e1 cumulativamente durante um longo per\u00edodo. Est\u00e3o inclu\u00eddos a\u00ed os casos de contamina\u00e7\u00e3o por alimentos e mesmo pela \u00e1gua.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) estima que, entre trabalhadores de pa\u00edses em desenvolvimento, a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente 70 mil mortes por ano. Al\u00e9m disso, diz ainda a OIT, causa cerca de 7 milh\u00f5es de doen\u00e7as agudas e n\u00e3o fatais. Em mar\u00e7o de 2015, a Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer (Iarc), ligada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), publicou um artigo que sistematizou pesquisas sobre o potencial cancer\u00edgeno de cinco ingredientes ativos de agrot\u00f3xicos realizadas por uma equipe de pesquisadores de 11 pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p>Baseada nestas pesquisas, a ag\u00eancia classificou o herbicida glifosato e os inseticidas malationa e diazinona como prov\u00e1veis agentes carcinog\u00eanicos para humanos e os inseticidas tetraclorvinf\u00f3s e parationa como poss\u00edveis agentes carcinog\u00eanicos para humanos. A partir desse levantamento, o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca) divulgou uma nota oficial chamando a aten\u00e7\u00e3o para os riscos que a exposi\u00e7\u00e3o ao glifosato e a outras subst\u00e2ncias representam para a sa\u00fade dos brasileiros. Dentre os efeitos associados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a ingredientes ativos de agrot\u00f3xicos, o Inca cita, al\u00e9m do c\u00e2ncer, infertilidade, impot\u00eancia, abortos, malforma\u00e7\u00f5es fetais, neurotoxicidade, desregula\u00e7\u00e3o hormonal e efeitos sobre o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p><strong>A vigil\u00e2ncia sobre a Poss\u00edvel presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_410918\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><figure id=\"attachment_410918\" aria-describedby=\"caption-attachment-410918\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"jetpack-lazy-image--handled wp-image-410918\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6334-01.jpg\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6334-01.jpg 900w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6334-01-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6334-01-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6334-01-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-410918\" class=\"wp-caption-text\">Engenheiro agr\u00f4nomo Salzano Barreto, assessor t\u00e9cnico de Pol\u00edticas de Sa\u00fade do Trabalhador do CEVS. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>A qualidade da \u00e1gua consumida pela popula\u00e7\u00e3o vem sendo tema de crescente preocupa\u00e7\u00e3o na sociedade em fun\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de contamina\u00e7\u00e3o dos rios e de outras fontes de recursos h\u00eddricos. Quais s\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas e normas que protegem a popula\u00e7\u00e3o destas amea\u00e7as? A resposta \u00e9 desconhecida pela maioria da popula\u00e7\u00e3o que, ou n\u00e3o quer pensar no assunto, ou confia que as institui\u00e7\u00f5es cumpram seus papeis de monitoramento, controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o. No dia 19 de janeiro de 1990, uma portaria do governo brasileiro definiu \u201cnormas e o padr\u00e3o de potabilidade da \u00e1gua destinada ao consumo humano, a serem observadas em todo o territ\u00f3rio nacional\u201d. De l\u00e1 para c\u00e1, essas normas foram revisadas e republicadas, acrescentando determinadas subst\u00e2ncias a serem monitoradas, retirando outras, alterando os valores m\u00e1ximos permitidos. Entre as an\u00e1lises que devem ser realizadas em todo o pa\u00eds, segundo essa legisla\u00e7\u00e3o, est\u00e3o aquelas que detectam a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua consumida pela popula\u00e7\u00e3o. Trata-se de an\u00e1lises mais caras e sofisticadas que requerem equipamentos e pessoal especializado para sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pouco conhecido pela maioria da popula\u00e7\u00e3o, o Rio Grande do Sul possui o programa de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade da Qualidade da \u00c1gua para Consumo Humano (Vigi\u00e1gua), que tem como tarefa central \u201cgarantir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o acesso \u00e0 \u00e1gua com qualidade compat\u00edvel com o padr\u00e3o de potabilidade estabelecido na legisla\u00e7\u00e3o vigente\u201d. Ligado ao Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (CEVS), o Vigi\u00e1gua desenvolve a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o para assegurar a qualidade do abastecimento de \u00e1gua, identificando a intervindo em situa\u00e7\u00f5es de risco \u00e0 sa\u00fade dos consumidores. No que diz respeito aos agrot\u00f3xicos, a legisla\u00e7\u00e3o nacional prev\u00ea um controle sobre 27 subst\u00e2ncias. O Rio Grande do Sul, al\u00e9m desta lista de 27, incluiu 46 ingredientes ativos adicionais para serem monitorados. Esse acr\u00e9scimo, explica o engenheiro agr\u00f4nomo Salzano Barreto, assessor t\u00e9cnico de Pol\u00edticas de Sa\u00fade do Trabalhador do CEVS, deve-se, entre outros motivos, \u00e0 presen\u00e7a de culturas espec\u00edficas como fumo, arroz irrigado, trigo, p\u00eassego e ma\u00e7\u00e3, entre outras.<\/p>\n<p><strong>\u201cQuem vende a \u00e1gua tem que dizer que ela est\u00e1 boa para beber\u201d<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_410919\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><figure id=\"attachment_410919\" aria-describedby=\"caption-attachment-410919\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"jetpack-lazy-image--handled wp-image-410919\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6340-02-600x400.jpg\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6340-02-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6340-02-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6340-02-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6340-02.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-410919\" class=\"wp-caption-text\">Engenheira qu\u00edmica Julce Clara da Silva, coordenadora do Vigi\u00e1gua.(Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Coordenadora do Vigi\u00e1gua, a engenheira qu\u00edmica Julce Clara da Silva explica que a responsabilidade pelo controle da qualidade \u00e9 de quem fornece \u00e1gua \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, empresas como a Corsan, o Dmae e autarquias municipais. Essas empresas t\u00eam a responsabilidade de garantir todos os par\u00e2metros estabelecidos na legisla\u00e7\u00e3o. \u201cO nosso trabalho \u00e9 verificar se eles est\u00e3o cumprindo esses par\u00e2metros. Empresas como a Corsan e o Dmae tem os seus laborat\u00f3rios pr\u00f3prios. Os par\u00e2metros que eles n\u00e3o conseguem analisar, s\u00e3o encaminhados para outros laborat\u00f3rios. O nosso Lacen (Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica do Rio Grande do Sul) s\u00f3 analisa o glifosato. Quanto aos demais par\u00e2metros, estamos mandando um plano de amostragem para a Fiocruz\u201d.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o de potabilidade, esclarece Salzano Barreto, \u00e9 constitu\u00eddo por diferentes par\u00e2metros. Cada par\u00e2metro corresponde a um veneno, a uma bact\u00e9ria, horm\u00f4nio, antibi\u00f3tico e assim por diante. O conjunto desses par\u00e2metros constitui um padr\u00e3o, que \u00e9 avaliado em duas pontas. \u201cQuem vende a \u00e1gua tem que dizer que ela est\u00e1 boa para beber, fazendo o trabalho de controle da qualidade. N\u00f3s fazemos a vigil\u00e2ncia deste processo de controle de qualidade\u201d. Segundo Julce Clara da Silva, nas an\u00e1lises da \u00e1gua tratada feitas at\u00e9 aqui e nos procedimentos de controle feitos pelo CEVS n\u00e3o foram encontradas subst\u00e2ncias que comprometam a potabilidade da mesma, conforme os crit\u00e9rios da legisla\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>J\u00e1 em coletas feitas na \u201c\u00e1gua bruta\u201d (n\u00e3o tratada), em pontos de capta\u00e7\u00e3o, foi constatada a presen\u00e7a de alguns agrot\u00f3xicos como atrazina e organoclorados. Neste caso, as empresas respons\u00e1veis pela distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua s\u00e3o obrigadas a fazer um tratamento especial. Esse tratamento, que envolve a introdu\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o ativado, entre outros procedimentos, dependendo do grupo qu\u00edmico retira em at\u00e9 80% a concentra\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia em quest\u00e3o, diz Salzano Barreto.<\/p>\n<p>Questionado sobre a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua que vem sendo consumida no Rio Grande do Sul, o engenheiro agr\u00f4nomo \u00e9 enf\u00e1tico: \u201cA \u00e1gua servida para a popula\u00e7\u00e3o aqui no Estado nunca vai passar nenhum doen\u00e7a decorrente de agrot\u00f3xicos. N\u00e3o existe essa possibilidade t\u00e9cnica\u201d. O car\u00e1ter enf\u00e1tico da afirma\u00e7\u00e3o, afirma Barreto, est\u00e1 baseada na periodicidade da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cO agrot\u00f3xico no Rio Grande do Sul \u00e9 usado s\u00f3 durante tr\u00eas meses, quatro no m\u00e1ximo. O resto s\u00e3o aplica\u00e7\u00f5es pontuais. Ent\u00e3o, \u00e9 insignificante o que pode chegar na \u00e1gua servida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, pois o processo de tratamento \u00e9 cont\u00ednuo. A qualidade da nossa \u00e1gua vai muito bem, obrigado. Ela \u00e9 segur\u00edssima. Dever\u00edamos, inclusive, ter reconhecimento internacional nesta quest\u00e3o\u201d. Pode ocorrer um problema, acrescenta, em um dia de um total de 365 dias. N\u00e3o vai acontecer nada se a pessoa for exposta s\u00f3 a um dia de veneno.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a total da \u00e1gua\u201d<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_410920\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><figure id=\"attachment_410920\" aria-describedby=\"caption-attachment-410920\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"jetpack-lazy-image--handled wp-image-410920\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6345-03-600x400.jpg\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6345-03-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6345-03-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6345-03-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6345-03.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-410920\" class=\"wp-caption-text\">Vanda Garibotti, bi\u00f3loga do CEVS. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vanda Garibotti, bi\u00f3loga do CVES, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o enf\u00e1tica sobre esse ponto e assinala que essa quest\u00e3o da periodicidade \u00e9 v\u00e1lida no que diz respeito a doen\u00e7as agudas. \u201cEsse debate \u00e9 muito pol\u00eamico. Veja que dentro do pr\u00f3prio Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade n\u00e3o h\u00e1 consenso. N\u00f3s avan\u00e7amos nesta quest\u00e3o da \u00e1gua, por meio dos par\u00e2metros de potabilidade estabelecidos na portaria que j\u00e1 foi referida aqui. Mas eu tenho l\u00e1 as minhas d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a total da \u00e1gua que a gente bebe. Eu n\u00e3o digo que a \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 pot\u00e1vel, mas tampouco afirmo que a seguran\u00e7a \u00e9 total\u201d. Entre os problemas que ainda precisam ser resolvidos, a bi\u00f3loga cita o momento em que \u00e9 feita a coleta da \u00e1gua para an\u00e1lise (\u00e9 realizada uma amostra por semestre em cada esta\u00e7\u00e3o de tratamento).<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos trabalhando para melhorar esse plano de amostragem. Eu j\u00e1 trabalhei em munic\u00edpio e a gente se dava conta, ao receber o controle dos sistemas de abastecimento que, muitas vezes, as coletas para amostragem eram feitas em junho e julho, que era um per\u00edodo de entressafra onde n\u00e3o se estava plantando nada e, portanto, n\u00e3o se estava aplicando agrot\u00f3xicos. N\u00f3s estamos trabalhando para aperfei\u00e7oar esse plano de amostragem\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cO maior risco n\u00e3o \u00e9 a \u00e1gua, mas sim os alimentos\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Se a an\u00e1lise e vigil\u00e2ncia sobre a poss\u00edvel presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos avan\u00e7ou no que diz respeito \u00e0 \u00e1gua, o mesmo n\u00e3o pode ser dito em rela\u00e7\u00e3o aos alimentos. \u201cAt\u00e9 existem limites m\u00e1ximos de agrot\u00f3xicos permitidos, mas ningu\u00e9m analisa\u201d, afirma Salzano Barreto. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de res\u00edduo de agrot\u00f3xicos, acrescenta Vanda Garibotti, talvez o maior risco n\u00e3o seja mesmo a \u00e1gua, mas sim os alimentos. \u201cA primeira preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a exposi\u00e7\u00e3o direta do trabalhador que lida com agrot\u00f3xicos. No caso da exposi\u00e7\u00e3o indireta, talvez nossa prioridade agora seja avan\u00e7ar na an\u00e1lise da presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos em alimentos\u201d.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga destaca que h\u00e1 v\u00e1rias precariedades a serem superadas para o aperfei\u00e7oamento destes controles. \u201cQuando \u00e9 feito o registro de um ingrediente ativo, a sociedade j\u00e1 deveria exigir que ele passasse a ser monitorado no ambiente, na exposi\u00e7\u00e3o direta do trabalhador, na \u00e1gua e nos alimentos. Mas n\u00f3s temos uma insufici\u00eancia laboratorial muito grande, no setor p\u00fablico e tamb\u00e9m no setor privado, para fazer essas an\u00e1lises destes res\u00edduos. N\u00f3s assumimos um modelo de produ\u00e7\u00e3o, legislamos sobre ele, legitimando-o, mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de verificar a poss\u00edvel presen\u00e7a de um determinado res\u00edduo no meio ambiente e nas pessoas. Para a exposi\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores, n\u00f3s s\u00f3 temos dispon\u00edveis na rede an\u00e1lises para organofosforados e carbonatos. Se a pessoa se intoxicou com glifosato, j\u00e1 n\u00e3o conseguimos fazer\u201d.<\/p>\n<p>Mas ela tamb\u00e9m destaca avan\u00e7os no per\u00edodo recente: \u201cO Vigi\u00e1gua e o CEVS conseguiram um avan\u00e7o importante que foi conseguir estruturar nosso laborat\u00f3rio p\u00fablico. J\u00e1 temos no Laborat\u00f3rio Central a an\u00e1lise para detectar a presen\u00e7a do glifosato na \u00e1gua. Ningu\u00e9m estava fazendo isso. Se formos pesquisar quem faz glifosato no Rio Grande do Sul vamos encontrar, talvez, dez laborat\u00f3rios, entre p\u00fablicos e privados. N\u00e3o temos nenhum que faz a an\u00e1lise do glifosato no sangue e na urina\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cO problema maior \u00e9 na periferia dos pequenos munic\u00edpios\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Nem todos os munic\u00edpios do Rio Grande do Sul est\u00e3o cobertos por esse sistema de controle e vigil\u00e2ncia. Atualmente, a Corsan atende 316 munic\u00edpios, abrangendo cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do Estado (em torno de seis milh\u00f5es de pessoas). Alguns munic\u00edpios maiores t\u00eam suas pr\u00f3prias autarquias, mas, em geral, nos munic\u00edpios menores, assinala Julce Clara da Silva, o abastecimento \u00e9 feito via po\u00e7os tubulares profundos que exigem um tratamento da \u00e1gua bem mais simplificado. \u201cO que eles n\u00e3o fazem, na maioria das vezes, s\u00e3o os par\u00e2metros mais complexos, que s\u00e3o os mais caros, caso dos agrot\u00f3xicos e dos metais pesados. O problema maior \u00e9 na periferia destes pequenos munic\u00edpios na zona rural. A\u00ed, cada fam\u00edlia tem a sua solu\u00e7\u00e3o individual e, em geral, as pessoas bebem \u00e1gua diretamente do seu po\u00e7o. Neste caso, n\u00e3o tem como exigir tratamento em cada po\u00e7o. O que se faz a\u00ed \u00e9 vigil\u00e2ncia. No caso de alguma contamina\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 distribu\u00eddo hipoclorito. Em rela\u00e7\u00e3o a agrot\u00f3xico, nestes casos, n\u00e3o h\u00e1 um controle. Algumas fontes s\u00e3o inclu\u00eddas, eventualmente, nesta vigil\u00e2ncia que fazemos\u201d, explica ainda a coordenadora do Vigi\u00e1gua.<\/p>\n<figure id=\"attachment_410921\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><figure id=\"attachment_410921\" aria-describedby=\"caption-attachment-410921\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"jetpack-lazy-image--handled wp-image-410921\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6350-04-600x400.jpg\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6350-04-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6350-04-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6350-04-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/20180405-jornal-sul21-gs-020418-6350-04.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-410921\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e9dica Virginia Dapper, do setor de sa\u00fade do trabalhador, do CEVS. (Foto: Guilherme Santos\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><figcaption class=\"wp-caption-text\">\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da bi\u00f3loga Vanda Garibotti, as pol\u00edticas p\u00fablicas nesta \u00e1rea ainda est\u00e3o enquadradas em um modelo hospitaloc\u00eantrico e que privilegia a abordagem de doen\u00e7as infecciosas, onde \u00e9 poss\u00edvel estabelecer um nexo causal mais direto. J\u00e1 as doen\u00e7as cr\u00f4nicas, com risco ao longo do tempo, ainda exigem uma luta para que se tenha indicadores mais claros, melhor infraestrutura de laborat\u00f3rios e mais pesquisas. \u201cO que \u00e9 mais visto \u00e9 aquilo que a popula\u00e7\u00e3o enxerga. A popula\u00e7\u00e3o tem mais medo hoje da febre amarela do que \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a um determinado produto qu\u00edmico. Se voc\u00ea recolhe a embalagem do agrot\u00f3xico que \u00e9 utilizado, n\u00e3o o enxerga mais. Por isso, eles recolhem muito bem as embalagens. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais se ele foi para a \u00e1gua, se ele ficou no solo ou em algum alimento. Estamos lutando muito para trabalhar melhor essa quest\u00e3o das doen\u00e7as cr\u00f4nicas, n\u00e3o transmiss\u00edveis. \u00c9 uma luta di\u00e1ria e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aqui no Rio Grande do Sul\u201d.<\/p>\n<p>Garibotti tamb\u00e9m manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com o aumento da pulveriza\u00e7\u00e3o, tanto no que diz respeito \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o direta de quem aplica esses produtos, quanto \u00e0 possibilidade dessas aplica\u00e7\u00f5es atingirem popula\u00e7\u00f5es que vivem pr\u00f3ximas a essas \u00e1reas. \u201cNo interior, temos pequenas \u00e1reas urbanas inseridas em zonas de produ\u00e7\u00e3o. Por isso, existe a necessidade de se pensar tanto sobre esta exposi\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores quanto sobre essa possibilidade de uma exposi\u00e7\u00e3o mais ampla\u201d.<\/p>\n<p><strong>O problema da sinergia entre os princ\u00edpios ativos<\/strong><\/p>\n<p>O tema da seguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua ou nos alimentos n\u00e3o se esgota no cumprimento dos par\u00e2metros que definem os valores m\u00e1ximos permitidos de cada subst\u00e2ncia. Mesmo que, em um total de dez produtos analisados, todos eles apresentem \u00edndices dentro destes par\u00e2metros, a sinergia entre eles pode ter efeitos prejudiciais \u00e0 sa\u00fade. Em fun\u00e7\u00e3o disso, assinala a m\u00e9dica Virginia Dapper, do setor de Sa\u00fade do Trabalhador, do CEVS, a Europa decidiu trabalhar com um valor teto de 0,5 microgramas, que representa a soma dos valores encontrados de um determinado grupo de subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>\u201cAqui no Brasil n\u00e3o temos isso, mas dever\u00edamos ter. Temos muitos organofosforados, por exemplo, e um valor para cada um deles, mas n\u00e3o fazemos a soma deles nem avaliamos a sinergia entre eles. N\u00e3o fazemos nem a soma daqueles que s\u00e3o de um mesmo grupo. No caso da ma\u00e7\u00e3, temos mais de 20 princ\u00edpios ativos a serem avaliados. Eles podem estar todos dentro do valor m\u00e1ximo permitido, mas qual \u00e9 o impacto da soma entre eles, especialmente para a popula\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel como crian\u00e7as e gestantes? Dever\u00edamos, ao menos, somar os pertencentes a um mesmo grupo, como os organofosforados, que s\u00e3o neurot\u00f3xicos. A Comunidade Europeia, pelo princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, decidiu adotar um valor teto de 0,5 microgramas\u201d, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Por Marco Weissheimer<\/em><\/span><\/strong><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt;\"><em>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/ultimas-noticias\/geral\/2018\/04\/agrotoxicos-agua-e-alimentos-o-que-ja-existe-de-controle-e-o-muito-que-falta-fazer-nesta-area\/\" target=\"_blank\">Sul21<\/a><\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Segundo dados do DataSus, banco de informa\u00e7\u00f5es do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), a cada ano, morrem, em m\u00e9dia,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1836,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[350,317,168,351,18],"class_list":["post-1835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-agrotoxicos","tag-agua","tag-alimento","tag-corsan","tag-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1835"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1837,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1835\/revisions\/1837"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}