{"id":2033,"date":"2018-09-06T10:19:45","date_gmt":"2018-09-06T13:19:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2033"},"modified":"2018-10-11T22:48:06","modified_gmt":"2018-10-12T01:48:06","slug":"so-87-empresas-controlam-a-cadeia-produtiva-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/so-87-empresas-controlam-a-cadeia-produtiva-do-agronegocio\/","title":{"rendered":"S\u00f3 87 empresas controlam a cadeia produtiva do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\"><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/060918-empresas-agronegocio.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2034\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/060918-empresas-agronegocio.jpg\" alt=\"060918-empresas-agronegocio\" width=\"640\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/060918-empresas-agronegocio.jpg 640w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/060918-empresas-agronegocio-300x164.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 class=\"description\">Vers\u00e3o brasileira do Atlas do Agroneg\u00f3cio faz raio-x do setor agr\u00edcola no mundo e no Brasil<\/h2>\n<p>Apenas 87 corpora\u00e7\u00f5es com sede em 30 pa\u00edses dominam a cadeia produtiva do agroneg\u00f3cio em todo o planeta. O dado integra gigantes do setor de bebidas e carnes, como por exemplo, a Coca-Cola, a AmBev, a JBS e a Unilever; mas tamb\u00e9m empresas de tecnologia como a IBM, a Microsoft e a Amazon, atra\u00eddas para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o varejo de alimentos por \u00e1reas como\u00a0<em>big data<\/em>\u00a0(grande conjunto de manipula\u00e7\u00e3o de dados) e ve\u00edculos inteligentes.<\/p>\n<p>Quatro grandes\u00a0<em>traders<\/em>, empresas investidoras no mercado financeiro, controlam a importa\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o dos commodities agr\u00edcolas: o chamado grupo ABCD, formado pelas empresas estadunidenses Archer Daniels Midland (ADM), Bunge, Cargill e pela multinacional com sede na Holanda, Louis Dreyfus Company. Hoje, elas representam 70% do mercado mundial de commodities agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Atlas do Agroneg\u00f3cio, lan\u00e7ado nesta ter\u00e7a-feira (4). O relat\u00f3rio analisa a cadeia global da agricultura e como a concentra\u00e7\u00e3o do mercado nas m\u00e3os de poucas empresas molda o sistema agr\u00edcola mundial.<\/p>\n<p>O atlas teve a sua primeira vers\u00e3o publicada na Alemanha em 2017. A edi\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 resultado da parceria entre a Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll e a Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo, organiza\u00e7\u00f5es alem\u00e3s com atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Maureen Santos, coordenadora de Justi\u00e7a Socioambiental da Heinrich B\u00f6ll, explica\u00a0que o novo documento traz an\u00e1lises sobre a realidade local do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Segundo ela, o m\u00e9rito do projeto \u00e9 mapear, em uma s\u00f3 publica\u00e7\u00e3o, dados do setor que passam sobre os temas de finan\u00e7as, investimentos e maquin\u00e1rio; conflitos relacionados ao acesso \u00e0 terra e \u00e0 \u00e1gua; sementes e uso de fertilizantes no mercado de commodities; e o processamento de alimentos at\u00e9 a chegada \u00e0 mesa dos consumidores.<\/p>\n<p>&#8220;O Atlas \u00e9 composto por 22 cap\u00edtulos e faz esse raio-x desse setores e como, na verdade, existe um eixo central que \u00e9 exatamente a desregulamenta\u00e7\u00e3o, por um lado; e a concentra\u00e7\u00e3o da cadeia de valor, por outro&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Um dos resultados do estudo, segundo ela, \u00e9 a desmitifica\u00e7\u00e3o da imagem propagandeada de que o &#8220;agro \u00e9 pop&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gente mostra que mundialmente, e tamb\u00e9m no Brasil, temos problemas muitos s\u00e9rios relacionados a essa cadeia: a expans\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de monocultura\u00a0 e o consequente aumento do uso do agrot\u00f3xicos e dos problemas de sa\u00fade; perda de qualidade do solo e redu\u00e7\u00e3o de biodiversidade; e os conflitos que\u00a0dessa concentra\u00e7\u00e3o do mercado e desse aumento da aquisi\u00e7\u00e3o de terras\u00a0em detrimento das condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho\u00a0da agricultura familiar,\u00a0camponesa e das popula\u00e7\u00f5es tradicionais.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Atlas tamb\u00e9m mostra como funciona o jogo financeiro das traders que formam o grupo ABCD no mercado especulativo.<\/p>\n<p>Em 2015, o com\u00e9rcio de contratos futuros de milho foi 11 vezes maior que a produ\u00e7\u00e3o mundial do gr\u00e3o. Ou seja, enquanto a safra do milho atingiu 978 toneladas, os contratos na Bolsa de Valores no estavam em torno de 10,5 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>&#8220;O gr\u00e1fico mostra essas rela\u00e7\u00f5es perigosas e os seus desdobramentos. At\u00e9 sobre a defini\u00e7\u00e3o se aquele produto ser\u00e1 para ser comido, se vai ser energia ou se vai ser destinado ao mercado de ra\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o grupo \u00e9 direta ou indiretamente respons\u00e1vel pelo desmatamento da floresta tropical. No Brasil, por exemplo, as comunidades ind\u00edgenas Guarani acusaram a Bunge de comprar cana-de-a\u00e7\u00facar produzida em terras roubadas em 2012. Na \u00e9poca, a empresa afirmou que seus fornecedores respeitavam o direito \u00e0 terra, mas os contratos n\u00e3o foram renovados.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Soberania alimentar<\/strong><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o da cadeia produtiva representa uma amea\u00e7a a um conhecimento ancestral do cultivo da terra. Esta \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o da jornalista Verena Glass, coordenadora de projetos da Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo e que participou da adapta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio pela entidade. Ela pontua que o aumento do uso da tecnologia de ponta, com a agricultura de precis\u00e3o, representa uma amea\u00e7a para a soberania alimentar de diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;O que me preocupa nessa discuss\u00e3o da agricultura de precis\u00e3o \u00e9 que ela transforma a agricultura em uma atividade extremamente tecnificada, com tecnologia de ponta, que \u00e9 muito cara, acess\u00edvel a poucos, e aplicadas em \u00e1reas extensivas\u201d, diz a jornalista.<\/p>\n<p>&#8220;O que era mais vivo, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de alimentar o ser-humano e reproduzir a vida a partir do conhecimento que se tem da terra, do territ\u00f3rio, do clima, dos animais e da integra\u00e7\u00e3o com a biodiversidade, acaba sendo substitu\u00eddo. E essa \u00e9 uma l\u00f3gica que, adicionadas a sementes transg\u00eanicas, agrot\u00f3xicos e tecnifica\u00e7\u00e3o e a patente, a gente perde em biodiversidade, conhecimento.\u201d<\/p>\n<p>A jornalista aponta ainda para o aumento da disputa por territ\u00f3rio. &#8220;Ou seja, a agricultura familiar e a agroecologia, comunidades ind\u00edgenas e quilombolas no Brasil e no mundo v\u00e3o ter qual espa\u00e7o nesses novos paradigmas?&#8221;, questiona Glass.<\/p>\n<p>O Atlas do Agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m mostra o avan\u00e7o da tecnologia como temas como o da biofortifica\u00e7\u00e3o, termo para a manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de plantas com o objetivo de aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes do alimentos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta que as iniciativas de manipula\u00e7\u00e3o nutricional vem sendo impostas sem um debate p\u00fablico efetivo com setores da sociedade civil. No Brasil, as culturas biofortificadas s\u00e3o: ab\u00f3bora, arroz, batata-doce, feij\u00e3o, feij\u00e3o-caupi, mandioca, milho e trigo.<\/p>\n<p>J\u00e1 o mercado global de gen\u00e9tica animal deve crescer de US$ 3,7 bilh\u00f5es em 2016 para US$ 5,5 bilh\u00f5es em 2021, um aumento m\u00e9dio de 8,4% ao ano. Este crescimento \u00e9 duas vezes e meia mais r\u00e1pido do que a economia mundial.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado no relat\u00f3rio \u00e9 que o n\u00famero de empresas no mercado global de sementes e agrot\u00f3xicos tem diminu\u00eddo em ritmo acelerado com fus\u00f5es que criam poderosos conglomerados empresariais. Com a consolida\u00e7\u00e3o da compra da Monsanto pela Bayer, em junho deste ano, este mercado ficou praticamente dividido em quatro grandes grupos: Dow DuPont, Bayer, Syngenta e BASF.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o brasileira do Atlas do Agroneg\u00f3cio, na \u00edntegra, pode ser encontrada no\u00a0<a href=\"https:\/\/br.boell.org\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"external\">site da Funda\u00e7\u00e3o Heinrich B\u00f6ll<\/a>.<\/p>\n<p class=\"editor\">\n<p class=\"editor\"><span style=\"font-size: 10pt; font-family: georgia, palatino, serif;\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Juca Guimar\u00e3es<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 10pt; font-family: georgia, palatino, serif;\"><em>Fonte: Jornal Brasil de Fato<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o brasileira do Atlas do Agroneg\u00f3cio faz raio-x do setor agr\u00edcola no mundo e no Brasil Apenas 87 corpora\u00e7\u00f5es com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2034,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2033","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2033"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2033\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2035,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2033\/revisions\/2035"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}