{"id":2521,"date":"2019-07-29T23:50:05","date_gmt":"2019-07-30T02:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2521"},"modified":"2019-07-30T00:10:27","modified_gmt":"2019-07-30T03:10:27","slug":"nova-classificacao-de-agrotoxicos-e-forma-de-enganar-a-sociedade-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/nova-classificacao-de-agrotoxicos-e-forma-de-enganar-a-sociedade-diz-pesquisador\/","title":{"rendered":"Nova classifica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos \u00e9 &#8220;forma de enganar a sociedade&#8221;, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2523\" aria-describedby=\"caption-attachment-2523\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/270719-roundup.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2523\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/270719-roundup.jpg\" alt=\"Brasil liberou, este ano, 290 novos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds; marca \u00e9 a maior j\u00e1 registrada para este per\u00edodo do ano \/ Josh Edelson \/ AFP\" width=\"639\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/270719-roundup.jpg 639w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/270719-roundup-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2523\" class=\"wp-caption-text\">Brasil liberou, este ano, 290 novos agrot\u00f3xicos no pa\u00eds; marca \u00e9 a maior j\u00e1 registrada para este per\u00edodo do ano \/ Josh Edelson \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"description\">Metodologia muda r\u00f3tulo dos produtos; Greenpeace aponta que sistematiza\u00e7\u00e3o confunde consumidores<\/h2>\n<p>A nova classifica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos feita pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e divulgada na ter\u00e7a-feira (23) causou rea\u00e7\u00f5es em especialistas que acompanham o tema no Brasil.<\/p>\n<p>A sistematiza\u00e7\u00e3o dos produtos, at\u00e9 ent\u00e3o regulada por uma legisla\u00e7\u00e3o de 1989 que previa a exist\u00eancia de quatro categorias segundo o n\u00edvel de perigo oferecido pelos pesticidas, agora passa a ter cinco divis\u00f5es. Com a mudan\u00e7a, aqueles que pertencem ao segmento dos \u201cextremamente t\u00f3xicos\u201d, hoje com 800 tipos, podem cair para 300.<\/p>\n<p>Pelas novas normas, venenos antes considerados \u201caltamente t\u00f3xicos\u201d, que provocam irrita\u00e7\u00e3o severa na pele, podem passar para toxicidade moderada, enquanto os \u201cpouco t\u00f3xicos\u201d \u2013 com risco de irrita\u00e7\u00e3o leve na pele e nos olhos, por exemplo \u2013 ficam liberados de classifica\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o apresentar\u00e3o advert\u00eancias no r\u00f3tulo para o consumidor.<\/p>\n<p>O diretor da Anvisa, Renato Porto, disse, na ter\u00e7a (23), que as mudan\u00e7as deixam os r\u00f3tulos mais claros. &#8220;A partir do momento em que a Anvisa permite que um agrot\u00f3xico v\u00e1 para o mercado, eu preciso que o agricultor utilize esse produto conforme as instru\u00e7\u00f5es e que ele observe os n\u00edveis de risco. Por isso, um dos avan\u00e7os grandes que temos \u00e9 trazer o agricultor para o controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o desses produtos\u201d, completou.<\/p>\n<p>Especialista no tema, o engenheiro agr\u00f4nomo Leonardo Melgarejo, da Campanha Permanente contra os Agrot\u00f3xicos e pela Vida, diz que a nova metodologia imp\u00f5e riscos \u00e0 sa\u00fade humana porque os pesticidas t\u00eam reconhecida liga\u00e7\u00e3o com diferentes tipos de males.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima\u00a0que, em m\u00e9dia, 193 mil mortes registradas ao ano no planeta podem ter\u00a0rela\u00e7\u00e3o com o uso de agrot\u00f3xicos e outros produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>\u201cA informa\u00e7\u00e3o de risco agora privilegia os casos de morte. Sobrevalorizar um veneno porque ele causa morte e deixar de lado preocupa\u00e7\u00f5es de longo prazo, como c\u00e2ncer, cegueira, problemas de racioc\u00ednio e no sistema nervoso central, para n\u00f3s, \u00e9 uma forma de enganar a sociedade. Vai minimizar o cuidado que as pessoas v\u00e3o ter com venenos que n\u00e3o causam a morte, mas que trazem dramas que, para uma fam\u00edlia, s\u00e3o t\u00e3o relevantes quanto a perda de um parente\u201d, reflete.<\/p>\n<p>A Anvisa afirma que o novo marco regulat\u00f3rio \u00e9 orientado por um padr\u00e3o internacional, o Sistema Globalmente Harmonizado de Classifica\u00e7\u00e3o e Rotulagem de Produtos Qu\u00edmicos (Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals \u2013 GHS), adotado na Uni\u00e3o Europeia e na \u00c1sia, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cSeria racional que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um modelo semelhante, mas, na comunidade econ\u00f4mica europeia, pelo que sabemos, s\u00e3o proibidos v\u00e1rios dos produtos que s\u00e3o autorizados aqui. Seria de se esperar que uma reclassifica\u00e7\u00e3o que compatibilizasse a realidade brasileira com a europeia retirasse do mercado esses produtos. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma sinaliza\u00e7\u00e3o nesse sentido\u201d, pondera Melgarejo, acrescentando que mais de 30% dos venenos que circulam nacionalmente s\u00e3o rejeitados por esses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Segundo a Anvisa, a partir da publica\u00e7\u00e3o das novas regras, o \u00f3rg\u00e3o vai rever a categoriza\u00e7\u00e3o dos 2.300 produtos que hoje circulam no mercado. A ag\u00eancia afirma que j\u00e1 recebeu dados sobre 1.981 deles por meio de um edital aberto para solicita\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es junto \u00e0s empresas que det\u00eam os registros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm66.staticflickr.com\/65535\/48367742542_36f949ce2b_o.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>Simbologia<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto da nova sistematiza\u00e7\u00e3o considerado cr\u00edtico diz respeito ao uso de uma caveira no r\u00f3tulo dos alimentos. Pelas regras anteriores, a imagem constava nas embalagens de todos os tipos de veneno. A partir de agora, ela passar\u00e1 a ser usada apenas para as duas categorias consideradas mais perigosas. Com isso, produtos considerados \u201cmoderadamente t\u00f3xicos\u201d, \u201cpouco t\u00f3xicos\u201d ou \u201cimprov\u00e1veis de causar dano agudo\u201d n\u00e3o ter\u00e3o com o s\u00edmbolo no r\u00f3tulo.<\/p>\n<p>A coordenadora da campanha de Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o do Greenpeace, Marina Lac\u00f4rte, avalia que a mudan\u00e7a traz preju\u00edzos para o entendimento do consumidor.<\/p>\n<p>\u201cIsso acaba confundido muito a sociedade porque n\u00e3o existe agrot\u00f3xico que n\u00e3o apresente nenhum tipo de perigo. A caveira era totalmente did\u00e1tica e remetia ao risco cr\u00f4nico oferecido pelos produtos, que podem oferecer mais ou menos riscos, mas o perigo \u00e9 algo intr\u00ednseco a essas subst\u00e2ncias. Ele sempre est\u00e1 ali, ent\u00e3o, isso coloca, sim, a sociedade em maior risco\u201d, analisa.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o do novo marco regulat\u00f3rio para pesticidas surge ao mesmo tempo em que o Brasil promove um avan\u00e7o na presen\u00e7a desses produtos no mercado interno. Na \u00faltima segunda-feira (22), o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) autorizou mais 51 tipos de veneno para o mercado nacional, totalizando 290 libera\u00e7\u00f5es pela gest\u00e3o. A marca \u00e9 a mais alta j\u00e1 registrada no pa\u00eds para um per\u00edodo t\u00e3o curto.<\/p>\n<p>A medida ajuda a manter o Brasil em destaque como o maior consumidor de pesticidas do planeta, ao mesmo tempo em que contrasta com a opini\u00e3o popular sobre o tema. Uma pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha nesta quarta-feira (24) mostra que 78% dos brasileiros consideram os pesticidas inseguros e 72% avaliam que os alimentos produzidos no pa\u00eds cont\u00eam mais veneno do que deveriam.<\/p>\n<p>O levantamento, feito entre os dias 4 e 5 deste m\u00eas, identificou ainda que a faixa de renda impacta na percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o assunto: 79% dos entrevistados que ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos consideram os pesticidas muito inseguros, enquanto entre aqueles que recebem mais de 10 sal\u00e1rios o \u00edndice fica em 67%.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s imaginamos que n\u00e3o exista nenhum brasileiro que n\u00e3o saiba que os agrot\u00f3xicos s\u00e3o perigosos. O que existe \u00e9 uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o que acredita que esse perigo \u00e9 para os outros, n\u00e3o para ela. Acredita que \u00e9 perigoso pra quem aplica [produtos na lavoura], pra quem mora no interior e tamb\u00e9m que, comprando parte da sua alimenta\u00e7\u00e3o em feiras org\u00e2nicas, isso resolve o conjunto da sua alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma vis\u00e3o ing\u00eanua, equivocada essa de acreditar que os limites s\u00e3o seguros pelo fato de existir algum controle em alguns produtos\u201d, afirma Leonardo Melgarejo, ao analisar os dados da pesquisa.<\/p>\n<p>Ele acrescenta que os danos causados pelo uso de pesticidas v\u00e3o al\u00e9m do ambiente de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola porque os restos desses produtos acabam sendo canalizados para outros espa\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos desprezar, por exemplo, que todos n\u00f3s bebemos \u00e1gua e que o veneno aplicado no interior termina chegando naquilo que a gente bebe porque ele contamina o solo, os rios, etc. Se a \u00e1gua est\u00e1 envenenada, esses res\u00edduos [de agrot\u00f3xico] v\u00e3o parar dentro do organismo humano porque todos n\u00f3s somos formados tamb\u00e9m por \u00e1gua. \u00c9 sempre importante esclarecer isso\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/07\/24\/especialistas-criticam-nova-classificacao-de-agrotoxicos-da-anvisa\/\" target=\"_blank\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Metodologia muda r\u00f3tulo dos produtos; Greenpeace aponta que sistematiza\u00e7\u00e3o confunde consumidores A nova classifica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos feita pela Ag\u00eancia Nacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2523,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[223,36,375,18,34],"class_list":["post-2521","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-agronegocio","tag-agrotoxico","tag-comida","tag-destaque","tag-veneno"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2521"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2525,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2521\/revisions\/2525"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}