{"id":2667,"date":"2019-10-28T22:41:04","date_gmt":"2019-10-29T01:41:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2667"},"modified":"2019-11-03T22:43:33","modified_gmt":"2019-11-04T01:43:33","slug":"as-pessoas-ajudam-mais-porcas-do-que-mulheres-vitimas-de-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/as-pessoas-ajudam-mais-porcas-do-que-mulheres-vitimas-de-violencia\/","title":{"rendered":"As pessoas ajudam mais porcas do que mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \"><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/281019-porcos-violencia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-2669\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/281019-porcos-violencia.jpg\" alt=\"281019-porcos-violencia\" width=\"700\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/281019-porcos-violencia.jpg 700w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/281019-porcos-violencia-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/h2>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \">Carreta que tombou em rodovia com animais mobilizou milhares de pessoas nas redes<\/h2>\n<p class=\"\">Na madrugada de ter\u00e7a-feira o motorista de um caminh\u00e3o perdeu o controle e a carreta tombou no trecho Oeste do Rodoanel, em Barueri, na Grande S\u00e3o Paulo. Seria apenas mais um entre dezenas de acidentes de tr\u00e2nsito que ocorrem diariamente, n\u00e3o fosse a carga que o ve\u00edculo levava: 110 porcas que estavam a caminho do abate. Os\u00a0animais\u00a0ficaram mais de sete horas espremidos at\u00e9 que ativistas e funcion\u00e1rios da concession\u00e1ria respons\u00e1vel pela via conseguissem desvirar a carreta. Dezenas morreram no local, e v\u00e1rios sofreram graves les\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"\">Ativistas ligados a movimentos de direitos dos animais rapidamente se mobilizaram, e\u00a0criaram um\u00a0<em>crowdfunding<\/em>\u00a0(financiamento coletivo) para arrecadar fundos destinados aos cuidados das porcas sobreviventes, levadas a um santu\u00e1rio, um espa\u00e7o onde animais feridos s\u00e3o tratados. Em tr\u00eas dias, 247.574 reais (quase o total do valor pretendido) foram arrecadados, algo que surpreendeu os propriet\u00e1rios da plataforma de doa\u00e7\u00f5es\u00a0Vakinha. \u201cFoi uma das mais r\u00e1pidas em velocidade de arrecada\u00e7\u00e3o\u201d, explica Fabricio Milesi, um dos fundadores do site. Ele credita o sucesso \u201c\u00e0 capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o dos grupos de defesa dos animais e tamb\u00e9m \u00e0 cobertura do caso pela m\u00eddia\u201d. Segundo ele, as ONGs fazem um uso mais cont\u00ednuo da plataforma, mas muitas causas que recebem boa cobertura da imprensa tamb\u00e9m \u201cexplodem\u201d no Vakinha.<\/p>\n<p class=\"\">No dia 2 de agosto, Gisele Santos foi brutalmente agredida por seu companheiro em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, ao anunciar o fim do relacionamento.\u00a0Ele a atacou com um fac\u00e3o, cortando seus p\u00e9s e m\u00e3os. Os m\u00e9dicos conseguiram reimplantar os p\u00e9s da jovem, mas as duas m\u00e3os tiveram que ser amputadas em decorr\u00eancia dos ferimentos.\u00a0Uma vaquinha virtual foi feita h\u00e1 dez dias\u00a0para comprar um par de pr\u00f3teses para ela, que est\u00e1 desempregada. At\u00e9 esta sexta-feira haviam sido arrecadados 11.000 reais, 42% do total necess\u00e1rio. Desde que uma montagem com os resultados dos dois crowdfundings come\u00e7ou a circular na Internet, no entanto, as doa\u00e7\u00f5es para Gisele j\u00e1 aumentaram 20%.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/xfKjmtnVKPTdFKvF_rBIxGiOTUs=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/EOGMU7TRKVNDNCVJACEZ7A7MCA.jpg\" alt=\"A montagem com os resultados das vaquinhas virtuais.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">A montagem com os resultados das vaquinhas virtuais.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">\u201cEssa disparidade na aten\u00e7\u00e3o aos dois casos se d\u00e1 pela maneira como as pessoas enxergam as v\u00edtimas\u201d, afirma Marisa Fanematsu, diretora de conte\u00fado da\u00a0ag\u00eancia Patr\u00edcia Galv\u00e3o, uma ONG que atua na defesa dos direitos das mulheres. Segundo ela, animais e crian\u00e7as s\u00e3o vistas como \u201cv\u00edtimas inocentes, vulner\u00e1veis e desprotegidas que precisam de prote\u00e7\u00e3o\u201d, enquanto que no caso da mulher abusada existe uma tend\u00eancia a que se atribua \u201calgum n\u00edvel de culpa para a v\u00edtima\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">De acordo com Marisa, s\u00e3o frequentes os casos em que a mulher vai dar queixa de uma viol\u00eancia sofrida, e ouve a pergunta \u201co que voc\u00ea fez para ele te bater?\u201d. \u201c\u00c9 a revitimiza\u00e7\u00e3o da mulher\u201d, afirma. Ela reconhece, no entanto, que muitos grupos de mulheres \u201cainda t\u00eam uma vis\u00e3o antiga da comunica\u00e7\u00e3o, da maneira de usar as redes sociais para mobiliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cTradicionalmente grupos ligados ao\u00a0meio-ambiente\u00a0sabem usar essas ferramentas de m\u00eddia muito bem, e fazer a\u00e7\u00f5es que geram grande visibilidade\u201d, diz, admitindo que isso \u00e9 algo que o movimento de mulheres \u201cainda n\u00e3o sabe fazer\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">O ativista Douglas Fernandes, 30, da ONG\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Sempre Pelos Animais, afirma que as redes sociais s\u00e3o \u201cfundamentais\u201d para a mobiliza\u00e7\u00e3o de grupos pr\u00f3 direitos dos animais. De acordo com ele, \u201cestudos apontam que assuntos relacionados a esta causa est\u00e3o em segundo entre os mais comentados no Facebook\u201d. O militante afirma ainda que as redes, al\u00e9m de &#8220;dar amplitude ao assunto&#8221;, facilitam o engajamento, \u201cseja mediante o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es seja com doa\u00e7\u00f5es e colabora\u00e7\u00f5es financeiras\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Outro fato que, segundo ele, colaborou com a grande mobiliza\u00e7\u00e3o em torno das porcas, foi o fato de a agonia dos animais ter sido transmitida ao vivo: as principais r\u00e1dios falaram sobre o acidente no Rodoanel em seus boletins de tr\u00e2nsito, e imagens a\u00e9reas da carnificina su\u00edna apareceram nos notici\u00e1rios ao longo do dia. Sobre a disparidade entre os valores arrecadados pelas duas vaquinhas virtuais, Fernandes acredita que &#8220;muitas pessoas est\u00e3o perdendo a esperan\u00e7a nos seres humanos, e tem muita gente ego\u00edsta que s\u00f3 pensa em si, n\u00e3o contribui para nada, nem com desenvolvimento humano nem com a causa animal&#8221;. Segundo ele a falta de divulga\u00e7\u00e3o dada para alguns casos tamb\u00e9m contribui para que n\u00e3o haja muita mobiliza\u00e7\u00e3o em torno deles.<\/p>\n<p class=\"\">Marisa concorda em parte. \u201cSe por um lado de uns anos para c\u00e1 a m\u00eddia d\u00e1 cada vez mais espa\u00e7o para a quest\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher, essa cobertura acaba sendo apenas feita sob o vi\u00e9s policial\u201d, afirma. Ela critica a falta de contexto sobre o fen\u00f4meno dos abusos dom\u00e9sticos, e a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre canais de apoio e ajuda para as v\u00edtimas. \u201cOs casos s\u00e3o tratados como individuais, quando na verdade trata-se de uma agress\u00e3o que acontece centenas de vezes todos os dias\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"\">\n<p class=\"\">Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/08\/28\/politica\/1440786070_019523.html\" target=\"_blank\">ElPa\u00eds<\/a><\/p>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carreta que tombou em rodovia com animais mobilizou milhares de pessoas nas redes Na madrugada de ter\u00e7a-feira o motorista de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2669,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2667"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2671,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2667\/revisions\/2671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}