{"id":2802,"date":"2019-12-02T13:55:36","date_gmt":"2019-12-02T16:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2802"},"modified":"2019-12-06T14:06:27","modified_gmt":"2019-12-06T17:06:27","slug":"pobreza-extrema-cresce-pelo-quinto-ano-consecutivo-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/pobreza-extrema-cresce-pelo-quinto-ano-consecutivo-na-america-latina\/","title":{"rendered":"Pobreza extrema cresce pelo quinto ano consecutivo na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2804\" aria-describedby=\"caption-attachment-2804\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/021219-pobreza-extrema.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2804\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/021219-pobreza-extrema.jpg\" alt=\"O bairro Villa 31 em Buenos Aires, Argentina.DIEGO GIUDICE (GETTY)\" width=\"850\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/021219-pobreza-extrema.jpg 850w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/021219-pobreza-extrema-300x189.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2804\" class=\"wp-caption-text\">O bairro Villa 31 em Buenos Aires, Argentina.DIEGO GIUDICE (GETTY)<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \">Brasil e Venezuela explicam boa parte do aumento, mas a Cepal acende \u201cfortes sinais de alerta\u201d em um contexto de baixo crescimento e protestos em massa em busca de justi\u00e7a social<\/h2>\n<p class=\"\">As coisas se inverteram em 2015. Depois de uma forte diminui\u00e7\u00e3o da\u00a0pobreza\u00a0na Am\u00e9rica Latina e no Caribe na primeira parte da d\u00e9cada atual, o avan\u00e7o deu lugar ao retrocesso. Longe de ser interrompida, essa din\u00e2mica continua: a car\u00eancia extrema voltar\u00e1 a crescer neste ano e completar\u00e1 um per\u00edodo de cinco anos enfileirando retrocessos em um dos principais indicadores para entender a redu\u00e7\u00e3o do bem-estar das camadas com menos recursos da popula\u00e7\u00e3o latino-americana, para as quais a mobilidade social \u00e9 muito limitada. A regi\u00e3o fechar\u00e1 2019 com um aumento de sete d\u00e9cimos no \u00edndice geral de pobreza \u2013 que passou de 30,1% da popula\u00e7\u00e3o para 30,8%, segundo dados publicados na quinta-feira pela\u00a0Cepal, bra\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u00a0para o desenvolvimento no subcontinente \u2013 e de oito d\u00e9cimos em sua vari\u00e1vel extrema \u2013a mais urgente, que subiu de 10,7% para 11,5%.<\/p>\n<p class=\"\">\u201c\u00c9 muito preocupante e acende fortes sinais de alerta, especialmente em um contexto regional marcado por baixo crescimento, emerg\u00eancia clim\u00e1tica, aumento e maior complexidade da migra\u00e7\u00e3o e profundas transforma\u00e7\u00f5es na demografia e no mercado de trabalho, destaca o \u00f3rg\u00e3o sediado em Santiago. A estat\u00edstica, que vem a luz em plena onda de protestos em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos \u2013\u00a0entre eles o pr\u00f3prio Chile\u00a0\u2013 para exigir medidas sociais e um combate frontal \u00e0 desigualdade, se traduz em n\u00fameros ainda mais chocantes quando se passa para o terreno dos n\u00fameros absolutos: seis milh\u00f5es de pessoas engrossar\u00e3o as fileiras da extrema pobreza neste ano, um grupo que crescer\u00e1 at\u00e9 os 72 milh\u00f5es. A pobreza geral aumenta na mesma quantidade: 191 milh\u00f5es, em compara\u00e7\u00e3o com os 185 milh\u00f5es do ano passado. A gravidade dos dados cresce se o per\u00edodo de c\u00e1lculo for aumentado: se as estimativas forem cumpridas, a regi\u00e3o fechar\u00e1 2019 com 27 milh\u00f5es de pessoas pobres a mais do que em 2014. Quase todas elas \u2013 26 milh\u00f5es \u2013, em situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia extrema.<\/p>\n<p class=\"\">A mudan\u00e7a de tend\u00eancia na evolu\u00e7\u00e3o da pobreza e da\u00a0pobreza extrema\u00a0foi atribu\u00edda, em muitas \u00e1reas e quase exclusivamente, ao fim do\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0das mat\u00e9rias-primas, no in\u00edcio da d\u00e9cada que agora termina. Uma verdade apenas parcial, como enfatizam os t\u00e9cnicos do \u00f3rg\u00e3o sediado em Santiago, que introduzem uma narrativa complementar. \u201cO fim do auge das exporta\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas e a consequente desacelera\u00e7\u00e3o [econ\u00f4mica] mudaram a tend\u00eancia a partir de 2015. [Mas] o processo foi agravado pela diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o fiscal e pelas pol\u00edticas de ajuste que afetaram a cobertura e a continuidade das pol\u00edticas de combate \u00e0 pobreza e de inclus\u00e3o social e trabalhista\u201d, afirmam em seu \u00faltimo\u00a0<em>Panorama Social da Am\u00e9rica Latina<\/em>. Os \u201cimportantes\u201d avan\u00e7os do in\u00edcio da d\u00e9cada aconteceram, al\u00e9m de em um contexto econ\u00f4mico mais favor\u00e1vel, em um ambiente pol\u00edtico \u201cno qual a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza, a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, a inclus\u00e3o e a extens\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o social ganharam um espa\u00e7o in\u00e9dito na agenda p\u00fablica\u201d da regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">A situa\u00e7\u00e3o varia notavelmente entre os pa\u00edses. Uma parte importante do aumento da pobreza extrema nos \u00faltimos cinco anos \u00e9 atribu\u00edda a dois pa\u00edses: o Brasil, de longe o maior da regi\u00e3o, com uma popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 ultrapassa 210 milh\u00f5es de pessoas; e a\u00a0Venezuela, uma na\u00e7\u00e3o mergulhada em uma profunda crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica que \u2013 segundo os n\u00fameros do pr\u00f3prio regime de Nicol\u00e1s Maduro \u2013 perdeu ao menos metade do seu PIB. A tend\u00eancia no resto do subcontinente foi na dire\u00e7\u00e3o de uma diminui\u00e7\u00e3o muito leve na porcentagem da popula\u00e7\u00e3o com renda insuficiente para cobrir as necessidades b\u00e1sicas, \u201cembora [a redu\u00e7\u00e3o] tenha acontecido em um ritmo mais lento do que entre 2008 e 2014\u201d.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>Desigualdade em baixa, mas sem pol\u00edticas fiscais ativas<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">Em uma din\u00e2mica um pouco melhor do que a tra\u00e7ada pelos \u00edndices de pobreza, o de Gini \u2013 o mais comum para medir a desigualdade no mundo \u2013 continuou em uma linha claramente de baixa, embora a uma taxa visivelmente menor do que na primeira parte da presente d\u00e9cada: se entre 2002 e 2014 o fosso entre os estratos de menor e maior renda diminuiu a uma taxa anual de 1%, desde 2014 o fez a uma taxa de 0,6%. Em resumo, a desigualdade continua a se espalhar livremente na Am\u00e9rica Latina, de longe a regi\u00e3o mais desigual do mundo e na qual o desenvolvimento do Estado de bem-estar social n\u00e3o est\u00e1, de modo algum, entre as principais prioridades da maioria dos governos.<\/p>\n<p class=\"\">A Cepal recupera um de seus lemas cl\u00e1ssicos \u2013 \u201ccrescer para igualar e igualar para crescer\u201d \u2013 para lembrar, nas palavras de sua secret\u00e1ria-executiva, Alicia B\u00e1rcena, que \u201ca supera\u00e7\u00e3o da pobreza n\u00e3o exige apenas crescimento econ\u00f4mico: este deve ser acompanhado de pol\u00edticas redistributivas e pol\u00edticas fiscais ativas\u201d. As maiores melhorias na desigualdade \u2013medida pelo \u00edndice de Gini \u2013 aconteceram na\u00a0Bol\u00edvia, El Salvador e Paraguai e, em menor medida, na Col\u00f4mbia. No lado contr\u00e1rio, o Brasil v\u00ea como a dispers\u00e3o da renda aumenta significativamente, com a pior distribui\u00e7\u00e3o de renda entre o 1% mais rico \u2013 que obt\u00e9m quase um ter\u00e7o da riqueza gerada em um ano \u2013 e os 99 % restantes.<\/p>\n<p class=\"\"><strong>Mais classe m\u00e9dia, mas com uma estrutura piramidal e vulner\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">A melhor not\u00edcia do relat\u00f3rio, um dos que traz as piores not\u00edcias dos j\u00e1 publicados pela Cepal, \u00e9 o progressivo fortalecimento dos estratos de renda m\u00e9dia: se em 2002 menos de 27% dos latino-americanos foram enquadrados nesse grupo e seis anos depois eram pouco mais de 36%, em 2017 \u2013 o \u00faltimo ano para o qual existem dados dispon\u00edveis \u2013 esse n\u00famero cresceu para 41%. Paralelamente, nesses 15 anos, os estratos mais baixos da escala passaram de 71% para 56% e os altos \u2013 com renda superior a 10 linhas de pobreza \u2013 aumentaram de 2,2% para 3% .<\/p>\n<p class=\"\">\u201cPassar a fazer parte da classe m\u00e9dia\u201d, alerta o \u00f3rg\u00e3o, n\u00e3o implica \u201cautomaticamente\u201d na supera\u00e7\u00e3o do limite da pobreza monet\u00e1ria de cada um dos pa\u00edses da regi\u00e3o. \u201c\u00c9 fundamental reconhecer que existe um segmento da popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o que, apesar de ter superado esse limiar, est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade e risco de voltar a essa situa\u00e7\u00e3o\u201d. Principalmente, conclui o relat\u00f3rio, se cair no desemprego, uma amea\u00e7a que cresce em tempos econ\u00f4micos sombrios, como os vividos hoje pela Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n<p class=\"\">\n<p class=\"\">Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/28\/economia\/1574944397_211018.html\" target=\"_blank\">ElPa\u00eds<\/a><\/p>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil e Venezuela explicam boa parte do aumento, mas a Cepal acende \u201cfortes sinais de alerta\u201d em um contexto de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2804,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2802"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2807,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2802\/revisions\/2807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}