{"id":2826,"date":"2020-01-24T11:10:51","date_gmt":"2020-01-24T14:10:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2826"},"modified":"2020-01-27T11:18:50","modified_gmt":"2020-01-27T14:18:50","slug":"o-gigante-pode-estar-de-ressaca-ensaio-sobre-o-uso-do-alcool-e-as-lutas-das-esquerdas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/o-gigante-pode-estar-de-ressaca-ensaio-sobre-o-uso-do-alcool-e-as-lutas-das-esquerdas\/","title":{"rendered":"O gigante pode estar de ressaca: ensaio sobre o uso do \u00e1lcool e as lutas das esquerdas"},"content":{"rendered":"<section class=\"cu cv cw cx cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<p id=\"a535\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Os movimentos sociais, comunidades, territ\u00f3rios e povos precisam encarar este debate de frente, sem moralismos e sem ilus\u00f5es: o abuso das bebidas alco\u00f3licas \u00e9 um mal que atinge nossas frentes de luta. Por ser legal e mais socialmente aceito em nossa sociedade, o abuso do \u00e1lcool est\u00e1 disseminado, propagandeado em cada filme, s\u00e9rie e novela que assistimos, glamourizado pela juventude e, infelizmente, no dia a dia de muitas atividades dos militantes que atuam conosco. Acreditamos que a tarefa pol\u00edtica que est\u00e1 diante de n\u00f3s n\u00e3o permite que possamos brincar com situa\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e exige que passemos de uma contempla\u00e7\u00e3o do problema a uma a\u00e7\u00e3o frente a ele. Se queremos avan\u00e7ar, virar o jogo, ent\u00e3o precisamos come\u00e7ar a nos reformar e transformar nossos territ\u00f3rio. Uma observa\u00e7\u00e3o de partida: n\u00e3o estamos propondo proibir o uso de \u00e1lcool.<\/p>\n<p id=\"e98e\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Eu n\u00e3o sou um especialista do tema. Sou educador e militante da\u00a0Teia dos Povos. Este trabalho \u00e9 fruto de uma tarefa que foi solicitada no final da Jornada de Agroecologia da Bahia de 2019 (Utinga-BA). Ali, mestre Joelson Ferreira (MST-BA) falou que era preciso que a gente pautasse o uso do \u00e1lcool nas comunidades e come\u00e7asse a se criticar pelo abuso. Eu fiz um\u00a0fio no Twitter\u00a0debatendo como o \u00e1lcool parece ajudar no conformismo que sentimos no Brasil diante do cen\u00e1rio de caos. A recep\u00e7\u00e3o foi boa e prometi desenvolver como texto. Muita gente pela web me ajudou mandando casos, refer\u00eancias e etc. Tenho a impress\u00e3o que aqui e ali faltar\u00e1 rigor acad\u00eamico embora n\u00e3o seja este o enfoque. Sei que muita gente pode pensar: isto serve para qualquer v\u00edcio. Mas n\u00e3o. Nenhum \u00e9 t\u00e3o presente, banal e avassalador como o \u00e1lcool em nossa sociedade. Nossa aten\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 \u00e0 tarefa militante e a import\u00e2ncia deste debate. Estamos pensando o \u00e1lcool como uma empecilho ao avan\u00e7o das lutas dos movimentos sociais, territ\u00f3rios e organiza\u00e7\u00f5es. Eu tenho muito acordo com uma fala de mestre Hamilton Borges (Organiza\u00e7\u00e3o Reaja ou Ser\u00e1 Morta, Reaja ou ser\u00e1 Morto) e \u00e9 com ela que quero iniciar o debate:<\/p>\n<figure class=\"gf gg gh gi gj gk gl gm cd gn go gp gq gr ba gs gt gu gv gw gx paragraph-image\">\n<div class=\"gy gz ha hb ak\">\n<div class=\"cl cm ge\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"hj r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><\/div>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1200\/1*GoyPPEF71_yrBGYT2QqKtg.jpeg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">Mestre Hamilton Borges no destaque. Foto: Lena Azevedo.<\/figcaption><\/figure>\n<blockquote class=\"hs\">\n<div id=\"3650\" class=\"ht hu hv bk dd b hw hx hy hz ia ib fz\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dd b ic id bo\">A gente acha que este \u00e9 um debate grave, urgente e importante. N\u00e3o \u00e9 um debate moralista, n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o moral sobre voc\u00ea usar drogas e voc\u00ea usar \u00e1lcool, \u00e9 um debate sobre sobreviv\u00eancia mesmo, sobre pot\u00eancia do corpo, sobre sa\u00fade corporal para a gente se preparar para as batalhas que s\u00e3o exigidas de n\u00f3s.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p id=\"b5b5\" class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Dividi o texto em tr\u00eas partes: a primeira pensando porque o \u00e1lcool \u00e9 um problema; a segunda, com os dados relativos ao abuso de \u00e1lcool e a \u00faltima (muito mais pensada paras as esquerdas) pensando na supera\u00e7\u00e3o e nos exemplos dos movimentos rebeldes. Chega de papo, vamos pra miss\u00e3o!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<hr class=\"ij ef ik il im hp in io ip iq ir\" \/>\n<section class=\"cu cv cw cx cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<h1 id=\"0921\" class=\"is it dc bk bj iu de iv dg iw ix iy iz ja jb jc jd\" data-selectable-paragraph=\"\">O problema da bebida em nossa forma\u00e7\u00e3o social<\/h1>\n<p id=\"c3f0\" class=\"fm fn dc bk fo b fp je fr jf ft jg fv jh fx ji fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Hoje em cada bairro perif\u00e9rico \u00e9 poss\u00edvel que encontremos mais distribuidoras de cerveja do que bocas de fumo, biqueiras. O mestre da Teia dos Povos, Hamilton Borges explica isso: \u201cse voc\u00ea for ver, em cada bairro que a gente mora, de maioria preta, em cada esquina tem um bar lotado de pessoas jogando todas as suas finan\u00e7as para aquela ind\u00fastria\u201d. O \u00e1lcool \u00e9 uma droga como outra qualquer, que altera nosso estado de consci\u00eancia e causa danos \u00e0 nossa sa\u00fade, tendendo a nos levar ao v\u00edcio. Por\u00e9m \u00e9 uma droga legalizada e, justamente por isto, \u00e9 muito mais acess\u00edvel para nosso povo. Acreditamos esta cultura de se embriagar e de beber socialmente tem anestesiado nosso povo. Em certa medida, tem ajudado no conformismo que vemos no Brasil diante de tanta destrui\u00e7\u00e3o de direitos, territ\u00f3rios e corpos pretos e ind\u00edgenas. As periferias de nosso pa\u00eds \u2014 onde est\u00e3o nossas maiorias \u2014 s\u00e3o territ\u00f3rios repletos de abuso de bebida. Lugares onde o Estado n\u00e3o tem chegado com melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida, mas tem ofertado a viol\u00eancia policial como regra. \u00c9 ali tamb\u00e9m onde est\u00e3o nossos desempregados e as pessoas que mais vivenciam o racismo cotidiano. Sabemos que<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"8b96\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">\u201co racismo tamb\u00e9m impacta a sa\u00fade mental. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Texas mostra que pessoas que sofreram com discrimina\u00e7\u00e3o estavam sujeitas a desenvolver alcoolismo e depress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"eec1\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Ent\u00e3o, em muitos casos, aquelas pessoas que deveriam estar organizadas para enfrentar o racismo estrutural de nossa sociedade, s\u00e3o as que mais est\u00e3o expostas \u00e0 possibilidade concreta de sofrerem com alcoolismo.\u00a0<mark class=\"pm pn le\">Pois o \u00e1lcool \u00e9 utilizado muitas vezes como forma de inibir dores, fome, vergonha, para conseguir dormir, para esquecer a situa\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o social em que se vive. A bebida est\u00e1 no nosso processo de forma\u00e7\u00e3o social. Somos um pa\u00eds formado majoritariamente por pretos diasp\u00f3ricos e sua vinda para c\u00e1 possui uma rela\u00e7\u00e3o com a bebida.<\/mark>\u00a0Mestre Hamilton nos explica isto:<\/p>\n<blockquote class=\"hs\">\n<div id=\"c057\" class=\"ht hu hv bk dd b hw hx hy hz ia ib fz\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dd b ic id bo\">O \u00e1lcool tem sido um grande problema para nosso povo desde que a gente chegou aqui sequestrado, chegou aqui para esse pa\u00eds. N\u00e3o deixou de ser um problema para nosso povo. A gente chegou aqui para fazer a tal da cacha\u00e7a entre outras coisas, para colher cana de a\u00e7\u00facar e a gente foi jogado nisso.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p id=\"0aa2\" class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Sabemos pela historiografia da escravid\u00e3o atl\u00e2ntica que o com\u00e9rcio de aguardente contribuiu para o com\u00e9rcio de africanos escravizados para o Brasil. Luis Felipe Alencastro estima em\u00a0<em class=\"jm\">O Trato dos Viventes<\/em>\u00a0que entre os s\u00e9culos XVIII e XIX, 25% dos africados escravizados em Luanda e trazido ao Brasil foram trocados por cacha\u00e7a produzida aqui (voc\u00ea pode ler uma\u00a0resenha do livro aqui). O pr\u00f3prio povo preto produzia compulsoriamente um produto que no continente Africano era trocado por mais povo preto a ser escravizado. Este \u00e9 um problema, portanto, fundamental, que est\u00e1 na raiz da nossa forma\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n<p id=\"f5fa\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Por ser hist\u00f3rico, isto n\u00e3o quer dizer que ele n\u00e3o seja uma situa\u00e7\u00e3o concreta no presente. N\u00e3o somos apenas n\u00f3s, preocupados com debate da desigualdade racial e social do pa\u00eds que entendemos isso. Os analistas do mercado de cerveja, reconhecem claramente que o aumento do n\u00famero de desempregados \u00e9 um \u2014 ou o principal \u2014 dos fatores que fazem crescer o consumo de bebidas na previs\u00e3o que fizeram para o mercado em 2019. Veja o que eles dizem:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"485c\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O crescimento em volume de vendas seria creditado principalmente ao aumento de consumo de parte da popula\u00e7\u00e3o que viu sua renda dispon\u00edvel cair ou mesmo enfrentou desemprego nos \u00faltimos anos, um dos fatores que contribuiu para a estagna\u00e7\u00e3o do volume de vendas.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"0157\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Para os capitalistas deste setor, a mis\u00e9ria que representa o desemprego \u00e9 fonte de lucro. Desempregados ou pessoas que perderam parte da renda acabam sendo atra\u00eddas para a bebida. Isto atinge profundamente os povos pretos e ind\u00edgenas, pois s\u00e3o aqueles que mais viram suas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia despencarem nos \u00faltimos anos. A nossa milit\u00e2ncia est\u00e1, evidentemente, inserida neste drama social brasileiro. Temos pais, tios, filhos desempregados, dependendo da renda de algum familiar ou mesmo em situa\u00e7\u00e3o de fome.<\/p>\n<figure class=\"gf gg gh gi gj gk gl gm cd gn go gp gq gr ba gs gt gu gv gw gx paragraph-image\">\n<div class=\"gy gz ha hb ak\">\n<div class=\"cl cm jn\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"jo r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1024\/1*HD06DWMAOnh5tcMBxFVehw.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">Jorge Paulo Lemann (nascido em 1939). Foto: Congresso em foco.<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"96c7\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">E esse ciclo de gera\u00e7\u00e3o de riqueza para eles e mis\u00e9ria para n\u00f3s tem seu melhor exemplo no homem mais rico do pa\u00eds (ou segundo mais rico, eles se revezam l\u00e1 em cima). Jorge Paulo Lemman \u00e9 o dono da AmBev, principal ind\u00fastria do ramo de cervejas de nosso pa\u00eds.\u00a0Em 2017, a revista Forbes estimava que ele ganhava quase quinhentos mil reais por hora. No ano seguinte, a imprensa informava que ele acumulava uma\u00a0fortuna de 105,9 bilh\u00f5es de reais. Ele tem se empenhado para construir uma bancada de deputados e senadores favor\u00e1veis a temas como privatiza\u00e7\u00e3o e que coloquem o neoliberalismo na ordem do dia. O desmonte de nosso Estado-nacional por pol\u00edticas neoliberalizantes \u00e9 que tem ampliado o desemprego e levado mais pessoas para situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social. Sendo absurdamente perversa para os mais pobres, esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 fonte de lucro para ele, como j\u00e1 vimos. Na verdade, precisamos ser justos, Racionais MC\u2019s t\u00e1 falando disso h\u00e1 uma cara:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"2ea2\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Os ricos fazem campanha contra as drogas<br \/>\nE falam sobre o poder destrutivo dela<br \/>\nPor outro lado promovem e ganham muito dinheiro<br \/>\nCom o \u00e1lcool que \u00e9 vendido na favela<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"0587\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O Brasil j\u00e1 \u00e9 o terceiro maior produtor de cervejas do mundo, perdendo apenas para China e EUA.\u00a0Produzimos 13,3 bi de litros de cerveja, segundo o SINDCERV. S\u00e3o R$ 77 bi em faturamento, que corresponde a 2% do PIB nacional. \u00c9 um grande mercado do qual n\u00f3s s\u00f3 atuamos como trabalhadores explorados e os principais consumidores. H\u00e1 uma expans\u00e3o do mercado de cervejas \u201cartesanais\u201d e, agora, de destilarias \u201cartesanais\u201d. As aspas s\u00e3o para n\u00e3o termos falsas ilus\u00f5es, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o exatamente fruto de trabalho comunit\u00e1rio ou que carreguem na palavra artesanal processos produtivos caseiros ou familiares. Estas cervejarias n\u00e3o s\u00e3o como, por exemplo, nossos irm\u00e3os Payay\u00e1 (Chapada Diamantina, Bahia) que produzem a partir de seus conhecimentos e experimentos tradicionais. Para ganhar escala na produ\u00e7\u00e3o, muitas cervejarias \u201cartesanais\u201d passam a atuar como cervejarias industriais de escala menor do que s\u00e3o as da AmBev ou\u00a0Heineken. Esta \u00faltima cervejaria que entrou no pa\u00eds com mais vigor a partir de 2017, conseguiu com a aquisi\u00e7\u00e3o do grupo Kirin, ser a segunda maior com 20,7% do mercado j\u00e1 naquele ano. A promessa de investimento desta cervejaria no Brasil em\u00a02019 quase chegou a um bilh\u00e3o de reais.<\/p>\n<figure class=\"gf gg gh gi gj gk gl gm cd gn go gp gq gr ba gs gt gu gv gw gx paragraph-image\">\n<div class=\"cl cm jp\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"jq r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><img decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/196\/1*RLgXre9wyU4B_CblZyiszg.jpeg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"287\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">http:\/\/heinekeninafrica.com\/<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"771d\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">E aqui come\u00e7amos a entrar na viol\u00eancia que estas ind\u00fastrias possuem em seu encal\u00e7o. O genoc\u00eddio de Ruanda \u2014conhecido por muitos a partir do filme\u00a0<strong class=\"fo jr\">Hotel Ruanda<\/strong>\u00a0\u2014 tem um cap\u00edtulo emblem\u00e1tico envolvendo esta ind\u00fastria cervejeira holandesa (Heineken).\u00a0Segundo o livro\u00a0<em class=\"jm\">Heineken in \u00c1frica\u00a0<\/em>de Oliver van Beemen, a cervejaria financiou paramilitares no oeste do Congo, usou mulheres na Nig\u00e9ria e Camboja (\u00c1sia) para promo\u00e7\u00e3o da cerveja a partir do uso de seus corpos para ass\u00e9dio e at\u00e9 abuso sexual. Em meio ao genoc\u00eddio da minoria Tutsi (Ruanda, 1994), a cervejaria seguiu em produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds enquanto via os\u00a0genocidas atuarem nos assassinatos embriagados e tendo a cerveja como recompensa depois de um dia de abate. Precisa de mais \u00f3dio ao nosso povo preto do que estas hist\u00f3rias?<\/p>\n<p id=\"9aa8\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Eu penso o \u00e1lcool como uma arma de coloniza\u00e7\u00e3o, de domina\u00e7\u00e3o dos povos. Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria que est\u00e1 bem documentada no processo de ocupa\u00e7\u00e3o violenta das Am\u00e9ricas. O historiador Jo\u00e3o Azevedo Fernandes resume:\u00a0\u201cos autores que estudaram o drama do contato, especialmente nas Am\u00e9ricas, s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar a import\u00e2ncia do alcoolismo como inst\u00e2ncia desagregadora das sociedades nativas\u201d. Os povos prim\u00e1rios diante de tanta viol\u00eancia se viram tamb\u00e9m intoxicados com o acesso ao \u00e1lcool sendo facilitado pelos colonizadores. Em livros como\u00a0<em class=\"jm\">Enterre meu cora\u00e7\u00e3o na curva do rio<\/em><em class=\"jm\">\u00a0<\/em>\u00e9 poss\u00edvel perceber como o alcoolismo foi uma ferramenta de tomada de terra ind\u00edgena no EUA. No Brasil h\u00e1 um e-book publicado pela Fiocruz sobre o caso dos\u00a0Kaingang no Paran\u00e1. Mas talvez um caso mais recente possa nos ajudar a entender. Os Yawanaw\u00e1 est\u00e3o no Acre e foram colonizados no s\u00e9culo passado em meio ao \u201cciclo da borracha\u201d na regi\u00e3o norte. De trabalhadores eventuais dos seringais, logo abandonaram suas ro\u00e7as e passaram a ser escravos de capatazes armados que lhes cobravam mais e mais extra\u00e7\u00e3o de borracha.<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"483e\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Eles acabaram se tornando escravos por d\u00edvidas, sujeitos ao alcoolismo, \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o e \u00e0s doen\u00e7as trazidas pelos seringueiros.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"1a9d\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">E vejam que a perversidade n\u00e3o veio s\u00f3. Logo chegaram os mission\u00e1rios protestantes do EUA que lhes ensinaram um modo de vida individualista. Segundo a lideran\u00e7a da Aldeia Nova Esperan\u00e7a, Biraci J\u00fanior Yawanaw\u00e1:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"5a98\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Um nos explorava fisicamente, e o outro nos explorava espiritualmente, impondo sua religi\u00e3o, nos impedindo de usar nossas medicinas e de fazer cerim\u00f4nias, porque era \u2018coisa do dem\u00f4nio\u2019.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"519f\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Essa \u00e9 uma dor real. E esse povo teve que renascer em uma busca de reconectar com suas ancestralidade, suas espiritualidade, seus sistemas de curas e, sobretudo, sua terra e seu territ\u00f3rio, pois eles tinham sido<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"e884\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Reduzidos a 120 indiv\u00edduos no auge da ditadura militar, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, esquecidos de suas tradi\u00e7\u00f5es e sofrendo com um alt\u00edssimo \u00edndice de alcoolismo e uma grave desagrega\u00e7\u00e3o social, eles estavam virtualmente extintos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"510d\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O que n\u00f3s temos proposto enquanto\u00a0Teia dos Povos \u00e9 um levante preto, \u00edndio e popular. Temos a\u00ed dois exemplos transl\u00facidos de como o \u00e1lcool devastou, ajudou no genoc\u00eddio de popula\u00e7\u00f5es tradicionais em \u00c1frica e aqui. Ele tem devastados fam\u00edlias de nossos povos, territ\u00f3rios e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edtica. Temos o dever de cuidar. Por\u00e9m ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel falar no \u00e1lcool como express\u00e3o deste genoc\u00eddio que tanto denunciamos hoje?! Para entender isto ser\u00e1 fundamental olharmos os n\u00fameros que temos diante de n\u00f3s.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<hr class=\"ij ef ik il im hp in io ip iq ir\" \/>\n<section class=\"cu cv cw cx cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<h1 id=\"4915\" class=\"is it dc bk bj iu de iv dg iw ix iy iz ja jb jc jd\" data-selectable-paragraph=\"\">Conjuntura do abuso do \u00e1lcool \u2014 doses, dados e dores<\/h1>\n<p id=\"a719\" class=\"fm fn dc bk fo b fp je fr jf ft jg fv jh fx ji fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">H\u00e1 um documento chamado\u00a0<em class=\"jm\">\u00c1lcool e a sa\u00fade dos brasileiros \u2014 panorama 2019<\/em><em class=\"jm\">\u00a0<\/em>que \u00e9 fruto do trabalho da\u00a0CISA (Centro de Forma\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade e \u00c1lcool). Ali os pesquisadores extraem informa\u00e7\u00f5es de documentos da OMS, como o\u00a0<em class=\"jm\">Relat\u00f3rio global sobre \u00e1lcool e sa\u00fade<\/em>, e de documentos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no Brasil. \u00c9 importante conhecer estes dados, familiarizar-se com eles para que possamos aprofundar o debate em nossas comunidades e organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p id=\"57fc\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">H\u00e1 uma not\u00edcia boa. O consumo est\u00e1 diminuindo. Por\u00e9m em ritmo lento. O consumo per capta do mundo \u00e9 de 6,4l de \u00e1lcool puro por ano. O Brasil possui um consumo de 7,8l, o que daria algo em torno de uma dose de destilada por semana para cada pessoa. Estes dados s\u00e3o de 2016 e revelam que n\u00f3s, brasileiros, seguimos bebendo muito. Entre aqueles que bebem, o consumo brasileiro \u00e9 de 3 doses por dia, 0,7 a mais do que o mundo. Apesar do consumo estar diminuindo de forma geral, o beber abusivo, tem aumentado. H\u00e1 um indicador chamado BPE (Beber Pesado Epis\u00f3dico) que \u00e9 quando se bebe uma quantidade excessiva (60g de \u00e1lcool puro) em pouco tempo. \u00c9 o porre, a bebedeira. O Brasil tem ampliado o n\u00famero de BPE de 2010 para 2016, passando de 12,7% para 19,4%. A express\u00e3o \u201co Brasil nos obriga a beber\u201d ganha aqui uma conota\u00e7\u00e3o interessante, pois ampliamos o consumo abusivo no per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico \u2014 aumento da renda familiar \u2014 e seguimos bebendo muito na crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p id=\"21b7\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Os homens s\u00e3o os maiores abusadores tamb\u00e9m do \u00e1lcool. Entre eles 32,6% relataram BPE alguma vez. J\u00e1 as mulheres, apenas 6,9%. Seja por for\u00e7a de uma cultura machista que libera o corpo do homem e ret\u00e9m o da mulher, seja porque a casa e filhos ainda \u00e9 responsabilidade da maior parte das mulheres do pa\u00eds, o fato \u00e9 que a maior parte das mulheres consegue se preservar do consumo abusivo. Por\u00e9m quando se trata da popula\u00e7\u00e3o de mulheres que bebem, a\u00ed o quadro \u00e9 mais grave. As bebedoras chegam a se aproximar em \u00edndices de BPE dos homens, tendo 43,4% de mulheres relatado BPE no \u00faltimo m\u00eas da pesquisa contra 55% de homens.<\/p>\n<p id=\"aac9\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Esse aumento assustador da rela\u00e7\u00e3o entre BPE das mulheres no geral e das que bebem alerta que elas precisam ter bastante aten\u00e7\u00e3o e foco no autocuidado. A culpa do estupro \u00e9 sempre do estuprador, mas o risco para a mulher amplia com o abuso da bebida. Al\u00e9m do mais quase metade das mulheres que reportaram BPE tamb\u00e9m relataram rela\u00e7\u00f5es sexuais desprotegidas.\u00a0H\u00e1 estudos em per\u00edodos anteriores associando o BPE ao aumento da probabilidade da viol\u00eancia sexual. H\u00e1 que atacar o machismo, isto est\u00e1 claro, pois, entre outras gravidades, a viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica.\u00a0No Rio de Janeiro os casos de viol\u00eancia contra a mulher aumentam em finais de semana e dias de jogos de futebol\u00a0segundo o\u00a0<em class=\"jm\">Cadastro Nacional de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica<\/em><em class=\"jm\">.\u00a0<\/em>Contudo a associa\u00e7\u00e3o ao \u00e1lcool \u00e9 transl\u00facido nas pesquisas. Algumas delas apontam que\u00a0h\u00e1 risco duas vezes e meia maior de sofrer viol\u00eancia por companheiro para as mulheres que bebem. Este \u00e9 um argumento de central no debate contra a ideia que: o \u00e1lcool \u00e9 um problema de responsabilidade individual. Mas voltaremos a ele mais tarde. Vamos seguir discutindo os dados alarmantes<\/p>\n<p id=\"e14d\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Um mito que precisa ser erradicado \u00e9 que o abuso das bebidas \u00e9 feito por pessoas sem escolaridade. O Panorama 2019 aponta que o consumo abusivo est\u00e1 mais associado \u00e0 faixa que tem mais anos de escolaridade e, sobretudo, na faixa entre 18 e 24 anos. Juntando l\u00e9 com cr\u00e9 estamos falando de nossos jovens universit\u00e1rios. E aqui d\u00e1 para abrir um par\u00eantese para pensar na cultura que associa juvenilidade ao consumo abusivo. O pr\u00f3prio sertanejo \u201cuniversit\u00e1rio\u201d est\u00e1 repleto de can\u00e7\u00f5es associando dor e alegria \u00e0 bebedeiras. Mas mesmo antes de ser \u201cuniversit\u00e1rios\u201d, os adolescentes j\u00e1 se violentaram com a bebida. Nosso primeiro consumo se d\u00e1 em m\u00e9dia com 12,5 anos de idade. E 32% de estudantes entre 14 e 18 anos relataram BPE no \u00faltimo ano. A juventude precisa de novos horizontes que mobilizem seu cora\u00e7\u00e3o e cultive desafios que n\u00e3o sejam autodestrutivos pra si e sua fam\u00edlia. \u00c9 preciso falar da fam\u00edlia justamente porque nesta idade, grande parte dos jovens n\u00e3o possuem condi\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o de suas vidas, precisando do completo ou parcial apoio dos pais e familiares na sua sobreviv\u00eancia. \u00c9 dinheiro da fam\u00edlia trabalhadora sendo drenada para violentar corpos e mentes.<\/p>\n<p id=\"a560\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Agora vamos colocar a lupa sob os dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade e tentar entender como urgiria uma pol\u00edtica p\u00fablica se houvessem governos decentes e n\u00e3o capachos gente como Lemann. Em 2017 foram 268 mil interna\u00e7\u00f5es parcialmente atribu\u00eddas ao \u00e1lcool e mais 63 mil totalmente atribu\u00edvel (mais de 531 mil interna\u00e7\u00f5es no total). Isso correspondeu a 2,37% de todas as interna\u00e7\u00f5es no SUS naquele ano. Em 2016 estas interna\u00e7\u00f5es s\u00e3o relativas a situa\u00e7\u00f5es de queda (24,3%), acidente de tr\u00e2nsito (10,5%), sindrome de depend\u00eancia (8,4%), doen\u00e7a hep\u00e1tica alco\u00f3lica (6,8%), doen\u00e7a card\u00edaca isqu\u00eamica (6,5%), outros transtornos por uso (4,5%) e viol\u00eancia interpessoal (4,5%). Estamos falando de um custo de R$ 109,1 milh\u00f5es para os cofres p\u00fablicos por conta do abuso do \u00e1lcool naquele ano. Se o custo em reais n\u00e3o lhe parecer alto, creio que o em vidas lhe parecer\u00e1: foram 72,4 mil \u00f3bitos parcialmente atribu\u00edvel ao \u00e1lcool e 20,5 mil totalmente atribu\u00edvel (quase 93 mil mortos por \u00e1lcool). Se compararmos com os\u00a043 mil mortos por arma de fogo no Brasil daquele ano, ent\u00e3o podemos dizer que sim, h\u00e1 rastro de uma outra express\u00e3o do genoc\u00eddio que n\u00e3o queremos ver. Como no caso das armas de fogo, os homens s\u00e3o as maiores v\u00edtimas do \u00e1lcool. Foram 51,3 mil \u00f3bitos deles e 20,8 mil das mulheres relacionados com o \u00e1lcool em 2016. Parece que Fac\u00e7\u00e3o Central estava com a vis\u00e3o h\u00e1 muito tempo:\u00a0\u201cNada difere o fabricante de bebida do de arma \/ Os dois vende vel\u00f3rio na caixa, lucram com a sua desgra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p id=\"742a\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Os dados s\u00e3o abundantes e a realidade deve ser muito mais dura. H\u00e1 muitos casos n\u00e3o notificados de doen\u00e7as e mortes por \u00e1lcool. E aqui regresso \u00e0 minha cr\u00edtica de que a perspectiva liberal de defender o uso do \u00e1lcool como se fosse um problema de liberdade individual est\u00e1 equivocado. O fato claro \u00e9 que a decis\u00e3o de embriagar-se \u00e9 individual, mas o risco n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do bebedor, mas tamb\u00e9m de pessoas pr\u00f3xima e desconhecidas dele. Quero trazer dois casos aqui para poder ajudar no debate. Vejamos o relato do\u00a0Correio Braziliense:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"97ec\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O primeiro caso de feminic\u00eddio no DF foi registrado em 1\u00ba de junho de 2015. O policial militar reformado Geovanni Albuquerque Brasil, 49, matou a mulher, Concei\u00e7\u00e3o de Maria Lima Martins, 43, a socos. O crime ocorreu no apartamento do casal, no Guar\u00e1, horas depois de os dois chegarem de um bar. Segundo relatos do acusado, que confessou o crime, e de testemunhas, o casal tinha problemas com \u00e1lcool. O assassinato teria sido motivado por ci\u00fames. Ap\u00f3s beber e discutir no bar, o casal foi para casa de t\u00e1xi, por volta das 2h30. Chegando l\u00e1, as discuss\u00f5es se intensificaram, e Geovanni agrediu a companheira com murros. Embriagado, o acusado adormeceu, ao lado de Concei\u00e7\u00e3o, sem perceber que ela estava morta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"628a\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Agora vejamos um caso recente do r\u00e9veillon deste ano noticiado pela\u00a0Folha de S\u00e3o Paulo:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"c498\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Um bombeiro b\u00eabado bateu em um carro estacionado matando um beb\u00ea de sete dias, na madrugada desta quarta (1\u00ba), em Itatiba (84km de SP). (\u2026) Segundo o pai da rec\u00e9m-nascida, o jardineiro Juliano Xavier da Silva, 32 anos, a fam\u00edlia passava o R\u00e9veillon na casa de um parente e todos estavam na rua para ver a queima de fogos. Por causa do barulho, Gerlaine [m\u00e3e] entrou no carro da fam\u00edlia, que estava estacionado na rua, com as filhas e aproveitou para amentar a beb\u00ea.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"1da4\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">No primeiro caso, v\u00edtima e violentador abusaram de \u00e1lcool, sendo o caso t\u00e3o cr\u00edtico, que o homem dormiu ao lado do corpo morto de sua companheira. Como n\u00e3o dizer que o abuso do \u00e1lcool potencializou este feminic\u00eddio? J\u00e1 no segundo caso, o motorista embriagado simplesmente matou uma crian\u00e7a que estava mamando em um carro parado ao lado de sua m\u00e3e. Alguns pa\u00edses possuem leis que pro\u00edbem o consume de bebidas em lugares p\u00fablicos e at\u00e9\u00a0cidades brasileiras come\u00e7am a debater isto. Uma das mais conhecidas \u00e9 a\u00a0Lei Anti-botell\u00f3n de Madrid (2002)\u00a0que podia apenar com trabalhos sociais jovens b\u00eabados em lugares p\u00fablicos e\u00a0propostas da Espanha que podem multar at\u00e9 os pais por consumo alco\u00f3lico de adolescentes.<\/p>\n<p id=\"f472\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Nestes casos o direito individual de beber precisa ser contido para garantir o direito individual \u00e0 vida de pessoas pr\u00f3ximas ou alheias ao bebedores e \u00e0s bebedoras. Neste aspecto eu n\u00e3o tenho proposto nestes debates pela internet nada sobre proibicionismo, sobretudo, por mau governos. Por\u00e9m defendo claramente que as organiza\u00e7\u00f5es, comunidades, territ\u00f3rios precisam construir normas internas para diminuir o uso e banir o abuso de \u00e1lcool. As solu\u00e7\u00f5es devem ser variadas e n\u00e3o cabe aqui propor modelos \u2014 eles n\u00e3o servem para a megadiversidade social e pol\u00edtica de nossos povos. Por\u00e9m \u00e9 importante pensar que se trata de\u2026<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<hr class=\"ij ef ik il im hp in io ip iq ir\" \/>\n<section class=\"cu cv cw cx cy\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<h1 id=\"8855\" class=\"is it dc bk bj iu de iv dg iw ix iy iz ja jb jc jd\" data-selectable-paragraph=\"\">Uma tarefa revolucion\u00e1ria<\/h1>\n<p id=\"1fa1\" class=\"fm fn dc bk fo b fp je fr jf ft jg fv jh fx ji fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">A partir daqui meu texto est\u00e1 mais interessado no leitor de esquerda, na milit\u00e2ncia, nas companheiras e companheiros que est\u00e3o em organiza\u00e7\u00e3o, territ\u00f3rios e movimentos sociais construindo uma outra sociedade poss\u00edvel. Quero debater aqui, sobretudo, a supera\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool como tarefa pol\u00edtica para emancipar nossos movimentos. Eu j\u00e1 mencionei que o \u00e1lcool foi ferramenta colonial, de atraso de nossa sociedade. Por\u00e9m eu quero pens\u00e1-lo tamb\u00e9m como obst\u00e1culo colocado pela cultura capitalista para uma esp\u00e9cie de letargia nas lutas, de conformismo com a opress\u00e3o, desagrega\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios e povos, e at\u00e9 mesmo de dificuldade no processo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de nossos companheiros e nossas companheiras.<\/p>\n<p id=\"fcb2\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Eu vejo o livro\u00a0<em class=\"jm\">Condenados da terra<\/em>\u00a0de Frantz Fanon como um manifesto\/manual sobre a supera\u00e7\u00e3o do pacifismo como condi\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o dos povos colonizados. Creio que este \u00e9 um papo duro para ter no Brasil, mas tamb\u00e9m necess\u00e1rio. Ali, Fanon analisa a condi\u00e7\u00e3o colonial e prop\u00f5e concretudes revolucion\u00e1rias no processo de emerg\u00eancia. O \u00e1lcool aparece como sujeito substantivo da condi\u00e7\u00e3o colonial, sobretudo, pela forma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do autor ter se dado no contexto da\u00a0Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional da Arg\u00e9lia que combateu severamente o uso do \u00e1lcool inserido pelos colonizadores franceses naquela sociedade\u00a0\u2014 isto ampliou o respeito da popula\u00e7\u00e3o local e ampliou o quadro de membros. O \u00e1lcool faz parte, como vimos, das ferramentas de desagrega\u00e7\u00e3o dos povos nativos na Am\u00e9rica. No caso africano, Fanon destaca:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"6992\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">nos pa\u00edses subdesenvolvidos a juventude disp\u00f5e de divertimentos pensados para a juventude dos pa\u00edses capitalistas: romances policiais, m\u00e1quinas autom\u00e1ticas, fotografias obscenas, literatura pornogr\u00e1fica, filmes proibidos para menores de dezesseisanos e\u00a0<strong class=\"fo jr\">sobretudo \u00e1lcool<\/strong>. .. No Ocidente, o quadro familiar, a escolariza\u00e7\u00e3o, o n\u00edvel de vida relativamente elevado das massas trabalhadoras servem at\u00e9 certo ponto de defesa contra a a\u00e7\u00e3o nefasta d\u00easses divertimentos. Mas num pa\u00eds africano onde o desenvolvimento mental \u00e9 desigual, onde o choque violento de dois mundos abalou consideravelmente as velhas tradi\u00e7\u00f5es e desarticulou o universo da percep\u00e7\u00e3o, a afetividade do jovem africano e sua sensibilidade est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea das diversas agress\u00f5es contidas na cultura ocidental. Sua fam\u00edlia revela se muitas v\u00eazes incapaz de opor a ,essas viol\u00eancias a estabilidade, a homogeneidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"a750\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Rearticular as percep\u00e7\u00f5es e tradi\u00e7\u00f5es arru\u00ednadas pelo colonialismo para construir coes\u00e3o social de luta n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Fanon permanece atual ainda hoje. Um estudo realizado por pesquisadora da Universidade de Lisboa aponta que\u00a0as crian\u00e7as de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe consomem mais \u00e1lcool do que leite, mostrando, novamente, que pobreza e fome ampliam o consumo de \u00e1lcool e, neste caso, a substitui\u00e7\u00e3o da comida pela bebida alco\u00f3lica. Ali a bebida \u00e9 mais acess\u00edvel do que comida, a desinforma\u00e7\u00e3o sobre as consequ\u00eancias do \u00e1lcool \u00e9 generalizada e a mobiliza\u00e7\u00e3o do povo para emergir \u00e0 fome segue fraca. O colonialismo segue sendo um desafio para o povo africano e o \u00e1lcool uma ferramenta.<\/p>\n<p id=\"8724\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">No filme\u00a0Batalha de Argel\u00a0\u00e9 poss\u00edvel observar que a retomada da Casbah (bairro dos pobres e mu\u00e7ulmanos de Argel no per\u00edodo colonial) s\u00f3 se deu depois de enfrentar aqueles colonizados que cresceram financeiramente muito envenenando seu pr\u00f3prio povo com as bebidas. Ou seja, foi necess\u00e1rio fechar os estabelecimentos que vendiam bebidas para poder avan\u00e7ar. Penso que este seja lugar comum na luta revolucion\u00e1ria e at\u00e9 n\u00e3o-revolucion\u00e1ria-mas-s\u00e9ria. Ela n\u00e3o tem que ver apenas com o aspecto desenvolvimento de um novo ser humano, \u00e9 tamb\u00e9m sobre dar materialidade \u00e0s tarefas pol\u00edticas que temos \u00e0 nossa frente. O revolucion\u00e1rio de Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde Am\u00edlcar Cabral aborda o tema ao falar da quest\u00e3o da seguran\u00e7a. \u00c9 estranho que movimentos sociais que pautem autodefesa n\u00e3o discutam com severidade a quest\u00e3o alc\u00f3olica. N\u00e3o h\u00e1 aqui moralismo algum. \u00c9 at\u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica mesmo. Vejamos o que nos fala Cabral no livro\u00a0<em class=\"jm\">Unidade e luta<\/em>:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"b2db\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">n\u00e3o \u00e9 proibido beber, toda a gente pode beber, se n\u00e3o for mu\u00e7ulmano, mas na medida. Mas na medida \u00e9 dif\u00edcil, porque cada um tem a sua barriga. Devemos evitar a bebida ao m\u00e1ximo e um agente de seguran\u00e7a deve estar sempre pronto para condenar abertamente, seja comandante, dirigente do Partido, mesmo o Secret\u00e1rio Geral, com todo o respeito que tenha por eles; mas se se embebeda, prende- o. Isto \u00e9 que \u00e9 seguran\u00e7a. \u2018P\u00e1ra, porque est\u00e1s a estragar o nosso trabalho\u2019, isso \u00e9 que \u00e9 seguran\u00e7a de fato. N\u00e3o aquela seguran\u00e7a que, para agradar ao respons\u00e1vel, arranja- lhe bebida e ainda faz par\u00f3dia com ele. Esse n\u00e3o \u00e9 seguran\u00e7a, esse \u00e9 c\u00famplice na destrui\u00e7\u00e3o da nossa luta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"3fcd\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">\u00c9 preciso, portanto, ter clareza mesmo ao abordar o tema. H\u00e1 aspectos filos\u00f3ficos, de boa conduta e moral. H\u00e1, por outro lado, quest\u00e3o essencialmente ligadas \u00e0s tarefas pol\u00edtica que cada um realiza. Quanto mais subimos o tom pol\u00edtico, revolucion\u00e1rio, \u00e9 preciso crescer a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa seguran\u00e7a, evitar construir festas cujo ator principal \u00e9 o \u00e1lcool e que exp\u00f5e lideran\u00e7as ao risco da viol\u00eancia. Estamos pouco disciplinados para desconfiar que a viol\u00eancia vem gratuitamente e sem aviso. Mas \u00e9 2020, o autoritarismo violento do Brasil (por que n\u00e3o, fascismo?) \u00e9 uma realidade praticada por grupos organizados (como os integralistas ou milicianos), por sujeitos desorganizados, por\u00e9m armados, por corpora\u00e7\u00f5es militares, etc. Este \u00e9 um aspecto pr\u00e1tico, mas h\u00e1 o aspecto filos\u00f3fico, emancipat\u00f3rio da classe.<\/p>\n<p id=\"c872\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Nas mem\u00f3rias de Clara Zetkin sobre Vladmir Lenin, o grande l\u00edder da Revolu\u00e7\u00e3o Russa,\u00a0ela menciona palavras dele sobre o assunto:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"afc9\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">A revolu\u00e7\u00e3o exige concentra\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o das for\u00e7as, tanto das massas, como dos indiv\u00edduos. (\u2026)O proletariado \u00e9 uma classe em ascens\u00e3o. N\u00e3o necessita inebriar-se, atordoar-se, excitar-se. N\u00e3o precisa embriagar-se nem com excessos sexuais, nem com \u00e1lcool. N\u00e3o deve olvidar, e n\u00e3o olvidar\u00e1 a baixeza, a lama e a barb\u00e1rie do capitalismo. Haure seus maiores impulsos de luta na situa\u00e7\u00e3o de sua classe e no ideal comunista. O que lhe \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 clareza e sempre clareza. Assim, repito, nada de fraqueza, nada de desperd\u00edcio ou destrui\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Dominar-se, disciplinar os pr\u00f3prios atos n\u00e3o \u00e9 escravid\u00e3o, e \u00e9 igualmente necess\u00e1rio no amor.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"d98f\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Lenin interpretava que os czares russos usavam a bebida como forma de aliena\u00e7\u00e3o do povo pobre para aceitar a domina\u00e7\u00e3o de classe. A hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa foi da tentativa de acabar com a produ\u00e7\u00e3o em larga escala da bebida at\u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica alco\u00f3lica do antigo czar, s\u00f3 que agora na m\u00e3o do governo stalinista. Este foi debate amplo dentro desta tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Trotsky considerava que uma das tarefas da revolu\u00e7\u00e3o era \u201cdesenvolver, refor\u00e7ar, organizar, conduzir com \u00eaxito uma pol\u00edtica anti-alco\u00f3lica no pa\u00eds do trabalho renascente\u201d. Ele acreditava, inclusive, que o cinema poderia ajudar no combate ao abuso da bebida, pois inseria a\u00ed uma nova cultura, nova forma de lazer para um povo que s\u00f3 tinha no \u00e1lcool sua divers\u00e3o \u2014 nas palavras dele: \u201co cinema rivaliza com os bares\u201d. Pensava que tinha liquidado o alcoolismo na nascente Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica por conta da suspens\u00e3o do \u00e1lcool em meio \u00e0 Primeira Guerra Mundial e via que a luta do governo contra o alcoolismo era \u201cao mesmo tempo cultural, educativa e coerciva\u201d. As palavras do revolucion\u00e1rio sovi\u00e9tico dimensionam os dois aspectos, o pr\u00e1tico, mas tamb\u00e9m o do surgimento de um novo proletariado, que emerge do v\u00edcio que estava submetido no capitalismo.<\/p>\n<p id=\"d2a3\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">H\u00e1 outros exemplos na tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria marxista. O caso da guerrilha do Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o no Nepal (2001) \u00e9 emblem\u00e1tica. Enfrentando uma monarquia com ex\u00e9rcito apoiado por EUA e \u00cdndia, a\u00a0guerrilha construiu seu ex\u00e9rcito expandindo a \u00e1rea sem produ\u00e7\u00e3o e consumo de \u00e1lcool. A guerrilha fez uma grande restri\u00e7\u00e3o \u00e0 bebida num pa\u00eds assolado pelo alcoolismo. Tamb\u00e9m ali, os revolucion\u00e1rio denunciavam que o \u00e1lcool funcionava como esp\u00e9cie de arma da monarquia contra o povo e suas demandas de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p id=\"c87c\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Fora da tradi\u00e7\u00e3o marxista, conhecemos uma revolu\u00e7\u00e3o que aboliu o uso da bebida e tem muitos exemplos de sucesso na sua hist\u00f3ria. Bom, estamos falando do Ex\u00e9rcito Zapatista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional no M\u00e9xico e sua hist\u00f3ria de constru\u00e7\u00e3o de autonomia que j\u00e1 dura 26 anos.<\/p>\n<figure class=\"gf gg gh gi gj gk gl gm cd gn go gp gq gr ba gs gt gu gv gw gx paragraph-image\">\n<div class=\"gy gz ha hb ak\">\n<div class=\"cl cm js\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"jt r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/870\/1*u1-qtlcUZRHcL1SV1O2tTQ.jpeg\" alt=\"\" width=\"870\" height=\"579\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">Foto: Blanca Ju\u00e1rez \u2014 Encuentro del mujeres que luchan<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"f2bb\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">A hist\u00f3ria do EZLN \u00e9 uma hist\u00f3ria da supera\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool pelas comunidades ind\u00edgenas rebeldes. Os revolucion\u00e1rios que se refugiaram na selva Lacandona no p\u00f3s-1968 n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de mobiliza\u00e7\u00e3o popular. As mulheres subalternizadas por homens ind\u00edgenas alco\u00f3latras, endividados nas m\u00e3os de fazendeiros. Todo trabalho de interlocu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou para que as mulheres \u2014 j\u00e1 mobilizadas \u2014 convencessem seus maridos a largar o \u00e1lcool e se aproximar das lutas. Narrando a hist\u00f3ria de Antonia, uma zapatista,\u00a0uma revista mexicana conta:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"0ea7\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">\u2018Meu marido tinha carreira alco\u00f3lica\u2019 e nas comunidades aut\u00f4nomas zapatistas as drogas e o \u00e1lcool est\u00e3o proibidas. \u2018O pouco dinheiro que ganhava, enchia a cara. A n\u00f3s, nos deixava com fome\u2019. Ela s\u00f3 tinha que cuidar dos sete filhos que tiveram, atender as tarefas dom\u00e9sticas, semear milho e suportar os maus-tratos de um homem embrutecido pelo \u00e1lcool.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"8296\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Parte sucesso da luta zapatista se d\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de um novo consenso comunal que dialoga sobre a cosmovis\u00e3o ind\u00edgena e a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. Esta vis\u00e3o est\u00e1 clara na milit\u00e2ncia que possui a experi\u00eancia zapatista como inspira\u00e7\u00e3o. Um dos territ\u00f3rios que mais sofreu com a viol\u00eancia de Estado no governo Dilma foi a Serra do Padeiro dos Tupinamb\u00e1 (sul da Bahia). Eles enfrentaram guarda nacional, pol\u00edcia militar e federal e uma campanha s\u00f3rdida de persegui\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia paramilitar e etc. A lideran\u00e7a, Cacique Babau (Rosival Ferreira Silva) foi preso algumas vezes e no in\u00edcio do ano passado descobriu-se um plano de militares e fazendeiros bolsonaristas para mat\u00e1-lo e difamar seu povo. O plano era fazer blitz e implantar drogas em carro de familiares do cacique, trazendo imprensa e fazendo pris\u00e3o em flagrante como se fossem traficantes. A imprensa deu boa cobertura sobre o caso e \u00e0\u00a0Folha de S\u00e3o Paulo, Babau disse:<\/p>\n<blockquote class=\"hs\">\n<div id=\"4aec\" class=\"ht hu hv bk dd b hw hx hy hz ia ib fz\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dd b ic id bo\">N\u00f3s somos contra o tr\u00e1fico de drogas e abrimos a aldeia para a Pol\u00edcia Federal investigar se tem um s\u00f3 \u00edndio envolvido. N\u00e3o bebemos, se tem dez pessoas que fumam \u00e9 muito, e \u00e9 cigarro comum.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gk\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ju jv jw jx jy jz ag ka ah kb aj ak\">\n<figure class=\"kd ke kf kg kh gk ki kj paragraph-image\">\n<div class=\"gy gz ha hb ak\">\n<div class=\"cl cm kc\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"kk r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/1280\/1*SBvsBT24j70nxxy73KmJNw.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"719\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">Foto: Leon Sampaio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<p id=\"3c08\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">A defesa do territ\u00f3rio tem sido a postura abst\u00eamia. Tal como a hist\u00f3ria dos Black Panters que tiveram hero\u00edna e outras drogas colocadas em seus territ\u00f3rios de prop\u00f3sito para enfraquecer a base social do movimento como tamb\u00e9m para acusar suas lideran\u00e7as de tr\u00e1fico, esta t\u00e1tica \u00e9 aventada para impedir o dom\u00ednio do territ\u00f3rio pelos tupinamb\u00e1. Babau conta que quando o governo Dilma o chamou para negociar a assinatura da portaria declarat\u00f3ria da Terra Ind\u00edgena Tupinamb\u00e1, tentaram repartir o territ\u00f3rio alegando que numa dada regi\u00e3o haviam ind\u00edgenas que traficavam drogas. Babau n\u00e3o aceitou s\u00f3 demarcar a \u00e1rea da Serra do Padeiro, asseverava que o branco n\u00e3o perde direito ou suas empresas quando s\u00e3o flagrados como traficantes ou usu\u00e1rios de drogas. Ali ficou claro: o caminho que o Estado encontrou para impedir o direito ao territ\u00f3rio passaria pela quest\u00e3o das drogas. Manter os guerreiros e as guerreias s\u00f3brios era condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia!<\/p>\n<p id=\"6c0a\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">N\u00e3o beber tem sido uma defesa de muitas comunidades tradicionais que se colocam numa luta mais poderosa em defesa da terra e do territ\u00f3rio. Isto n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o generalizada no Brasil, mas o debate tem ampliado horizontes. Um dos principais assentamentos do MST na Bahia e respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da Jornada de Agroecologia da Bahia, o\u00a0Assentamento Terra Vista \u00e9 hoje um exemplo\u00a0em\u00a0produtividade\u00a0e\u00a0inova\u00e7\u00e3o. Fundador da Teia dos Povos, o assentamento passou por profunda reflex\u00e3o sobre a bebida, proibindo a abertura de bares dentro do territ\u00f3rio (os \u00faltimos foram fechados em 2017) e restringindo o consumo em \u00e1rea coletiva do assentamento \u2014 s\u00f3 pode mediante informe pr\u00e9vio e anu\u00eancia da coordena\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o se deu depois de muitos conflitos envolvendo assentados, casos de viol\u00eancia e etc. Esta comunidade est\u00e1 passando por uma evidente autocr\u00edtica neste aspecto. Suas lideran\u00e7as outrora estavam envolvidas com o consumo abusivo do \u00e1lcool, mas viram como isso machucou assentados e familiares. O que temos agora \u00e9 um novo caminho a ser percorrido.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"gk\">\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ju jv jw jx jy jz ag ka ah kb aj ak\">\n<figure class=\"gf gg gh gi gj gk ki kj paragraph-image\">\n<div class=\"gy gz ha hb ak\">\n<div class=\"cl cm kl\">\n<div class=\"hh r ha hi\">\n<div class=\"km r\">\n<div class=\"hc hd cp t u he ak eh hf hg\"><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"nq pk cp t u he ak gl\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/max\/2025\/1*2rrmuJWrlgh9A0GgbN0X4A.png\" alt=\"\" width=\"2025\" height=\"656\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bo eg hn ho hp cn cl cm hq hr bj ef\" data-selectable-paragraph=\"\">Assentamento Terra Vista (MST) atual e na \u00e9poca da ocupa\u00e7\u00e3o (meados da d\u00e9cada de 1990)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"n p\">\n<div class=\"ac ae af ag ah cz aj ak\">\n<p id=\"4101\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O abuso de \u00e1lcool \u00e9 um problema no processo de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da milit\u00e2ncia dos movimentos sociais. Aqui e ali perdemos lideran\u00e7as, bons quadros por excessos cometidos no uso e at\u00e9 pelo alcoolismo \u2014 a hist\u00f3ria de Huey Newton \u00e9 bastante simb\u00f3lica, nesta caso. A luta pol\u00edtica precisa de recursos, de disciplina e de congrega\u00e7\u00e3o. Mestre Hamilton explica como a bebida tem diminu\u00eddo a capacidade de luta das organiza\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<blockquote class=\"hs\">\n<div id=\"4640\" class=\"ht hu hv bk dd b hw hx hy hz ia ib fz\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dd b ic id bo\">Eu tenho acompanhado v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es do povo negro, a gente \u00e0s vezes se queixa da dificuldade de finan\u00e7as, das dificuldades de ter dinheiro para erguer uma parede, para fazer uma viagem, mas a cada atividade que a gente faz, \u00e0 noite quando encerra a atividade, a gente vai para um bar. Invariavelmente este bar n\u00e3o pertence \u00e0 nossa organiza\u00e7\u00e3o, a\u00ed a gente vai para esse bar e joga todo o dinheiro que poderia comprar livro, que poderia comprar um carro se juntasse todo dinheiro dos militantes que se gasta num bar durante seis meses, a gente poderia comprar uma Kombi que poderia circular entre Ilh\u00e9us e Salvador, entre Itacar\u00e9 e a Ilha de Mar\u00e9. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o est\u00e1 falando de um debate menor, a gente t\u00e1 falando de um debate importante para a gente enfrentar.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p id=\"124a\" class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Por outro lado, estes tr\u00eas elementos que abordei \u2014 recursos, disciplina e congrega\u00e7\u00e3o \u2014 essenciais para \u00e0 luta s\u00e3o tr\u00eas presentes no segmento pol\u00edtico que mais cresce no Brasil hoje: as comunidades evang\u00e9licas. As igrejas, apresentadas por parte da esquerda como respons\u00e1veis pela ascens\u00e3o do autoritarismo e conservadorismo no pa\u00eds est\u00e3o formando quadros, ocupando espa\u00e7os pol\u00edticos de relevo na rep\u00fablica e construindo um trabalho de base em \u00e1reas abandonadas pela esquerda.<\/p>\n<p id=\"3193\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">N\u00e3o h\u00e1 como negar o trabalho impactante que estas comunidades evang\u00e9licas t\u00eam feito. Mas numa periferia crescente com o cont\u00ednuo \u00eaxodo rural, o Pastor Ariovaldo Ramos chama aten\u00e7\u00e3o que s\u00e3o estas comunidades evang\u00e9licas que d\u00e3o um lugar social, uma refer\u00eancia a este povo pobre.\u00a0Em suas palavras:<\/p>\n<blockquote class=\"jj jk jl\">\n<p id=\"4299\" class=\"fm fn dc jm fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Quando ele entra na comunidade e \u00e9 acolhido como um ser humano, \u00e9 chamado pelo nome, recebe palavras que o dignificam e deixa de ser um sujeito perdido na cidade para ser um potencial de Deus, isso recupera a dignidade dele. Agora n\u00e3o \u00e9 mais algu\u00e9m da drogadi\u00e7\u00e3o,\u00a0<strong class=\"fo jr\">do alcoolismo<\/strong>: agora tem uma comunidade, tem gente que ora por ele, gente que torce por ele, gente que o abra\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"4208\" class=\"fm fn dc bk fo b fp fq fr fs ft fu fv fw fx fy fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Se queremos avan\u00e7ar na luta, reconquistar o povo, formar quadros e enfrentar os muitos latif\u00fandios existentes, precisamos reconhecer que temos um papel no cuidado de nosso povo. Ser radical, nas ideias de Marx, tem a ver com retomar o radical, a ess\u00eancia da quest\u00e3o. E a ess\u00eancia do humano \u00e9 o pr\u00f3prio humano. N\u00e3o podemos construir movimentos, organiza\u00e7\u00f5es, territ\u00f3rios que n\u00e3o cuidem de nosso povo. A milit\u00e2ncia \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia da luta. E se temos companheiros, companheiras, sofrendo por alcoolismo, seu ou de seus familiares, ent\u00e3o \u00e9 preciso incorporar este debate em nossa atua\u00e7\u00e3o. Que assentamento, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, territ\u00f3rio quilombola ou ind\u00edgena n\u00e3o sofre com alcoolismo? Quem n\u00e3o conhece um caso de abuso de \u00e1lcool? Mestre Hamilton Borges explica como eles t\u00eam trabalhado na Reaja:<\/p>\n<blockquote class=\"hs\">\n<div id=\"ebd6\" class=\"ht hu hv bk dd b hw hx hy hz ia ib fz\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<p class=\"dd b ic id bo\">Agora muitos militantes da organiza\u00e7\u00e3o, assim como da maioria dos movimentos sociais, s\u00e3o acometidas por uma certa doen\u00e7a do abuso de \u00e1lcool e de outros tipos de drogas. O que a gente faz \u00e9 fazer um di\u00e1logo com a milit\u00e2ncia da gente para que as pessoas busquem ajudar para diminu\u00edrem os efeitos deste abuso e pararem com este abuso.<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p id=\"595a\" class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">O abuso das bebidas \u00e9 sim um problema da milit\u00e2ncia de esquerda, dos ativistas de movimentos sociais. Gastamos muito tempo em an\u00e1lises de conjuntura que pregam para convertidos nossos ideias e concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de esquerda, contudo somos incapazes de pautar em nossas mesas redondas um tema t\u00e3o espinhoso quanto presente em nossos quadros. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel seguir n\u00e3o pautando este tema, ignorando estas dores. Estamos falando de trilhar um caminho novo para o ser humano em luta. Reinventar-se eticamente para seguir firme em nossos prop\u00f3sitos. \u00c9 dar passos internos enquanto avan\u00e7amos nas lutas externamente. Tal como Mestre Joelson Ferreira sugeriu para a Teia, penso que o abuso do \u00e1lcool, o acolhimento aos alc\u00f3olatras e o cuidado com a rela\u00e7\u00e3o da juventude com a bebida precisa ser pauta constante dos movimentos sociais, territ\u00f3rios, povos e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Enfrentar esta dor \u00e9 ter mais gente e gente mais forte para seguir lutando por terra, territ\u00f3rio e soberania.<\/p>\n<p class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<\/div>\n<p class=\"fm fn dc bk fo b fp ie fr if ft ig fv ih fx ii fz cu\" data-selectable-paragraph=\"\">Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/medium.com\/@erahstofelicio\/o-gigante-pode-estar-de-ressaca-ensaio-sobre-o-uso-do-%C3%A1lcool-e-as-lutas-das-esquerdas-5b7956ab3988\" target=\"_blank\">medium.com<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os movimentos sociais, comunidades, territ\u00f3rios e povos precisam encarar este debate de frente, sem moralismos e sem ilus\u00f5es: o abuso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2828,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2826"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2829,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2826\/revisions\/2829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}