{"id":2892,"date":"2020-03-18T17:15:59","date_gmt":"2020-03-18T20:15:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/?p=2892"},"modified":"2020-03-18T17:15:59","modified_gmt":"2020-03-18T20:15:59","slug":"nada-de-panico-mas-nada-de-negacao-diz-medico-sobre-o-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/nada-de-panico-mas-nada-de-negacao-diz-medico-sobre-o-coronavirus\/","title":{"rendered":"\u201cNada de p\u00e2nico, mas nada de nega\u00e7\u00e3o\u201d, diz m\u00e9dico sobre o coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"description\">O emergencista Ronald Wolff fala sobre os interesses por tr\u00e1s do p\u00e2nico gerado pela doen\u00e7a e d\u00e1 dicas de preven\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<figure id=\"attachment_2894\" aria-describedby=\"caption-attachment-2894\" style=\"width: 899px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/170320-nada-de-panico-BFato.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2894 size-full\" src=\"http:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/170320-nada-de-panico-BFato.jpg\" alt=\"&quot;Vivemos num mundo onde o melhor rem\u00e9dio para as pessoas n\u00e3o terem doen\u00e7a \u00e9 dois ou tr\u00eas pratos de arroz e feij\u00e3o por dia, e n\u00e3o amoxicilina tr\u00eas vezes por dia&quot; - Sheyden AfroInd\u00edgena\" width=\"899\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/170320-nada-de-panico-BFato.jpg 899w, https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/170320-nada-de-panico-BFato-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 899px) 100vw, 899px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2894\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Vivemos num mundo onde o melhor rem\u00e9dio para as pessoas n\u00e3o terem doen\u00e7a \u00e9 dois ou tr\u00eas pratos de arroz e feij\u00e3o por dia, e n\u00e3o amoxicilina tr\u00eas vezes por dia&#8221; &#8211; Sheyden AfroInd\u00edgena<\/figcaption><\/figure>\n<p>O coronav\u00edrus segue alcan\u00e7ando mais pessoas no Brasil e os casos j\u00e1 chegam a 234 infectados em 14 estados e no Distrito Federal.\u00a0A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) classificou a doen\u00e7a provocada pelo Covid-19 como uma\u00a0pandemia.\u00a0Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,\u00a0j\u00e1 h\u00e1 registro de transmiss\u00e3o local do v\u00edrus em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a02.064 casos suspeitos e outros 1.624 j\u00e1 foram descartados. N\u00e3o h\u00e1 nenhum \u00f3bito registrado no pa\u00eds at\u00e9 o momento \u2013\u00a0em todo o mundo, 5.735\u00a0 pessoas morreram ap\u00f3s contrair o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>M\u00e9dico do Pronto Atendimento na Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre (RS), e assessor de organiza\u00e7\u00f5es populares, como o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o doutor\u00a0Ronald Wolff conversou com a Rede Soberania e o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0sobre o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Ele traz dicas de preven\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, fala sobre os interesses econ\u00f4micos por tr\u00e1s de casos como esse e sobre outros problemas de sa\u00fade p\u00fablica que s\u00e3o muito mais fatais, mas n\u00e3o ganham a mesma aten\u00e7\u00e3o por parte de m\u00eddia e do governo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes, como vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, como sistema da sa\u00fade, ficamos mais preocupados com as doen\u00e7as de pessoas que t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de resolver seus problemas. \u00c9 muito s\u00e9rio isso, porque n\u00f3s vivemos num mundo onde o melhor rem\u00e9dio para as pessoas n\u00e3o terem doen\u00e7a \u00e9 dois ou tr\u00eas pratos de arroz e feij\u00e3o por dia, e n\u00e3o amoxicilina tr\u00eas vezes por dia&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Apesar de exigir cuidados como aten\u00e7\u00e3o redobrada com a higiene pessoal e ao frequentar locais de grande aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas, h\u00e1 um certo p\u00e2nico relacionado \u00e0 doen\u00e7a que acaba fazendo com que a sociedade esque\u00e7a de problemas mais graves, como a dengue, que segue adoecendo pessoas, principalmente nas periferias das cidades. \u201cEnt\u00e3o, nada de p\u00e2nico, mas nada de nega\u00e7\u00e3o. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para n\u00e3o pegar gripe\u201d, aponta o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato: Qual a diferen\u00e7a da gripe comum para o coronav\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ronald Wolff:<\/strong>\u00a0S\u00e3o praticamente iguais, o que muda \u00e9 o c\u00f3digo gen\u00e9tico. Eu j\u00e1 vi geneticistas renomados dizendo que \u00e9 uma variante do v\u00edrus da gripe, outros dizendo que n\u00e3o. O estudo do v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, ele n\u00e3o \u00e9 como outros seres que tem DNA, com fita dupla em seu c\u00f3digo, ele tem uma fita \u00fanica. Ent\u00e3o n\u00e3o tem DNA, mas RNA, isso mais na biologia molecular. Mas \u00e9 um v\u00edrus que produz efeitos semelhantes ao da gripe.<\/p>\n<p>A contamina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se d\u00e1 igual \u00e0 gripe, com transmiss\u00e3o pelo ar e pelo toque. Ent\u00e3o, todos aqueles cuidados que foram indicados para o H1N1 devem ser tomados em rela\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus, assim como para a gripe comum.<\/p>\n<p>Pode matar? Claro que pode. Mas a gente tem que deixar claro que precisamos tomar os cuidados porque \u00e9 ruim ter qualquer virose ou gripe. Mas n\u00e3o vejo motivo para p\u00e2nico, por enquanto, assim como foi nos anos anteriores com o H1N1, quando alguns pensavam que morreriam milh\u00f5es de pessoas, mas pouqu\u00edssimos casos causaram um dano maior.<\/p>\n<p><strong>Quantas pessoas morrem de gripe comum atualmente no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dado importante que faz com que a gente se pergunte: por que se cria toda essa celeuma em cima de um surto ou epidemia, como foi tamb\u00e9m com o H1N1? Me lembro que, no come\u00e7o, o H1N1 havia causado sete mortes e saiu no Jornal Nacional [da Rede Globo] e em todas as redes. Mas a gripe comum mata em torno de 70 mil pessoas por ano no Brasil. A\u00ed morreram sete e teve toda essa exposi\u00e7\u00e3o. Qual o interesse por tr\u00e1s dessa divulga\u00e7\u00e3o com tanta intensidade, primeiro em rela\u00e7\u00e3o aos perigos da gripe su\u00edna, que depois foi renomeada para H1N1. Antes ainda, havia tido a gripe avi\u00e1ria. Agora temos o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>As pessoas t\u00eam que ter, em rela\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus, a mesma atitude que tiveram com o H1N1 e com as gripes: cuidados com a higiene e aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o estar em lugares fechados com muita gente. Tamb\u00e9m n\u00e3o ir correndo para os servi\u00e7os de sa\u00fade por sintomas gripais comuns. Eu trabalho na emerg\u00eancia e, \u00e0s vezes, o sagu\u00e3o est\u00e1 cheio, com pessoas tossindo ali. Quem n\u00e3o tinha alguma coisa pode sair com algo, ent\u00e3o tem que cuidar com as aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A gente n\u00e3o gera o p\u00e2nico, mas n\u00e3o podemos deixar de ter os cuidados necess\u00e1rios para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e proteger as pessoas que t\u00eam a imunidade mais baixa. Algumas pessoas t\u00eam uma suscetibilidade maior ao v\u00edrus: idosos, crian\u00e7as pequenas, pessoas que fazem tratamento para um tipo de c\u00e2ncer, pessoas que tem HIV, algumas pessoas cardiopatas (que sofrem de doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o). N\u00f3s temos que cuidar para n\u00e3o estar circulante para essas pessoas estarem protegidas tamb\u00e9m.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>A gente n\u00e3o gera o p\u00e2nico, mas n\u00e3o podemos deixar de ter os cuidados necess\u00e1rios para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e proteger as pessoas que t\u00eam a imunidade mais baixa.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Essa difus\u00e3o \u00e9 t\u00e3o forte que as pessoas esqueceram a dengue, por exemplo, que h\u00e1 pouco tempo era um pavor. N\u00f3s estamos em alerta laranja para a dengue, em uma situa\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica grav\u00edssima, e n\u00e3o se fala mais nisso porque n\u00e3o \u00e9 a bola da vez. Quem decide isso? Quem orienta qual \u00e9 o pavor que a popula\u00e7\u00e3o tem que passar agora? A dengue \u00e9 pior que o coronav\u00edrus, e agora as pessoas est\u00e3o a\u00ed com pavor do coronav\u00edrus e n\u00e3o est\u00e3o mais preocupadas com cuidados como verificar se tem \u00e1gua parada nos pneus, em locais que podem acumular \u00e1gua nas suas casas. N\u00e3o se fala mais na dengue, mas ela est\u00e1 presente em muitas comunidades de Porto Alegre. Em muitos bairros existe o mosquito Aedes aegypti contaminando pessoas. \u00c9 isso que faz com que a gente tenha essa vis\u00e3o cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o e se pergunte: por que n\u00e3o se fala mais em dengue?<\/p>\n<p><strong>Quais os interesses por tr\u00e1s disso?<\/strong><\/p>\n<p>O coronav\u00edrus deu gripe na bolsa de valores, assim como outras tantas doen\u00e7as que movimentam trilh\u00f5es de d\u00f3lares. A bolsa de valores mexe com interesses. Eu sempre gosto de citar o economista Eduardo Moreira, que precisa ser ouvido para entender por que tem pobre e rico, por que tem profiss\u00f5es consideradas mais bonitas e outras n\u00e3o. Ele coloca de forma metaf\u00f3rica a quest\u00e3o da queda na bolsa de valores, relacionando com crian\u00e7as brincando na areia num parquinho. Elas brincam no lugar e a areia come\u00e7a a espalhar, at\u00e9 que n\u00e3o tem mais aquele montinho. A\u00ed vem o pessoal respons\u00e1vel por manter o parque em ordem e coloca areia novamente no local. Essa areia criou esse monte no parque, mas deixou um buraco em outro lugar.<\/p>\n<p>Toda\u00a0vez que algu\u00e9m ganha, algu\u00e9m perde. Ent\u00e3o as pessoas, \u00e0s vezes, pensam: como o governo \u00e9 bom porque subiu a bolsa de valores. Mas isso s\u00f3 significa que os ricos ganharam dinheiro. Eu n\u00e3o me importo muito quando a bolsa cai porque, \u00e0s vezes, quando os ricos perdem dinheiro, dificilmente vai para a m\u00e3o dos pobres. Na verdade, s\u00e3o outros ricos ganhando. Essa briga da bolsa \u00e9 um crit\u00e9rio para decidir a qualidade de vida do 1% da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 bilion\u00e1ria, que muito mais atrapalha o mundo do que ajuda. S\u00e3o menos de duas mil pessoas no mundo que concentram uma renda gigantesca, que resolveria todos os problemas n\u00e3o do Brasil, mas do mundo.<\/p>\n<p>Me deixa preocupado porque essas 2 mil pessoas definem, por exemplo, que doen\u00e7a vai ter em tal continente, para onde vai se deslocar a m\u00e3o de obra em tal ano nos continentes. Ent\u00e3o \u00e9 isso, no fim, o coronav\u00edrus vai fazer mal para quem est\u00e1 mal, porque a gente tem a capacidade de excluir aquele que j\u00e1 \u00e9 exclu\u00eddo.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, como vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, como sistema da sa\u00fade, ficamos mais preocupados com as doen\u00e7as de pessoas que t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de resolver seus problemas. \u00c9 muito s\u00e9rio isso, porque n\u00f3s vivemos num mundo onde o melhor rem\u00e9dio para as pessoas n\u00e3o terem doen\u00e7a \u00e9 dois ou tr\u00eas pratos de arroz e feij\u00e3o por dia, e n\u00e3o amoxicilina tr\u00eas vezes por dia.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>\u00c0s vezes, como vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, como sistema da sa\u00fade, ficamos mais preocupados com as doen\u00e7as de pessoas que t\u00eam mais condi\u00e7\u00f5es de resolver seus problemas. \u00c9 muito s\u00e9rio isso, porque n\u00f3s vivemos num mundo onde o melhor rem\u00e9dio para as pessoas n\u00e3o terem doen\u00e7a \u00e9 dois ou tr\u00eas pratos de arroz e feij\u00e3o por dia, e n\u00e3o amoxicilina tr\u00eas vezes por dia.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Estamos num mundo em que vai fazer muito melhor se as pessoas conversarem, se informarem, se andarem de bicicleta, do que ficarem na frente da televis\u00e3o e das redes sociais o dia inteiro. Isso \u00e9 uma estrat\u00e9gia muito grande da m\u00eddia internacional, de manter todos presos numa m\u00eddia e isolados dos outros. Isso as torna ref\u00e9ns com mais facilidade. Estamos nos tornando cada vez mais ref\u00e9ns daquilo que algu\u00e9m quer que a gente assuma como verdade. E verdade, como dizia [o fil\u00f3sofo franc\u00eas Michel] Foucault, \u00e9 um conjunto de procedimentos gerados por um jogo. Ent\u00e3o, existiram ideias que disputaram em um dado momento e um dado lugar, e uma dessas \u201cverdades\u201d venceu. Por isso que a gente tem, na sociedade, coisas de antigamente que hoje parecem tolas.<\/p>\n<p>Temos que ter muito cuidado com essas verdades, enquanto outras coisas s\u00e3o esquecidas. Por exemplo, a cada 15 minutos uma mulher \u00e9 agredida no Brasil. Temos uma mortalidade de mulheres no pa\u00eds que nenhum desses v\u00edrus conseguiu suplantar at\u00e9 hoje e ningu\u00e9m est\u00e1 fazendo campanha ou rede de vigil\u00e2ncia para proteger as mulheres. S\u00f3 das pr\u00f3prias mulheres, que se organizam e precisam lutar para resolver os seus problemas, j\u00e1 que quando se fala em pol\u00edticas para as mulheres, se diz: \u201cN\u00e3o vamos gastar muito com isso\u201d. Por isso morrem muito mais mulheres do que por doen\u00e7as, mas isso n\u00e3o \u00e9 tido como uma das causas de morte contra as quais o governo deveria implementar pol\u00edticas p\u00fablicas para evitar, assim como se faz pol\u00edtica p\u00fablica contra o coronav\u00edrus, o H1N1, acidentes de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Eu vejo duas \u00e1reas em que n\u00e3o se produz pol\u00edtica p\u00fablica por interesse: a viol\u00eancia contra a mulher e o uso de medicamentos. O uso de medicamento tamb\u00e9m produz doen\u00e7a e morte, \u00e9 a terceira causa de mortalidade no Brasil e em v\u00e1rios pa\u00edses, e isso n\u00e3o \u00e9 atacado por pol\u00edtica de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Explica melhor isso. Como \u00e9 que os rem\u00e9dios est\u00e3o matando muita gente?<\/strong><\/p>\n<p>Nos anos 2000, nos Estados Unidos, foi feita uma pesquisa sobre isso. Nesse ano, houve 102 mil mortes e 2,6 milh\u00f5es de interna\u00e7\u00f5es graves em que a causa da doen\u00e7a \u00e9 o consumo de medicamento, prescrito\u00a0ou n\u00e3o, por um m\u00e9dico. Quanto custaram essas interna\u00e7\u00f5es? E nada foi cobrado da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 a mesma coisa. A ind\u00fastria farmac\u00eautica pauta muito os governos. Na \u00e9poca do H1N1, por exemplo, o governo tinha que ter o Tamiflu no SUS. Mas os estudos para verificar os benef\u00edcios do Tamiflu tiveram que ser interrompidos no segundo est\u00e1gio, porque estava matando mais que a pr\u00f3pria H1N1. Na \u00e9poca, tiveram campanhas e abaixo-assinados das pessoas exigindo que o governo tivesse o Tamiflu. Com isso o governo fica ref\u00e9m da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Se as pessoas morrem por uso do Tamiflu, isso n\u00e3o \u00e9 noticiado. Agora, imagina se uma pessoa morre de H1N1 numa cidade onde o prefeito se recusou a comprar o medicamento por saber isso. Imagina o que aconteceria com esse prefeito. Na outra elei\u00e7\u00e3o ele certamente vai estar rejeitado, isso se n\u00e3o for criminalizado.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil, as pessoas que dirigiram os institutos de pesquisa v\u00e3o sendo tiradas, os minist\u00e9rios v\u00e3o sendo desmontados de pessoas capazes de abordar essa situa\u00e7\u00e3o com mais embasamento cient\u00edfico. E a\u00ed a gente v\u00ea o n\u00famero de asneiras que t\u00eam sido ditas por pessoas com um cargo nacional ou estadual importante. Se consumem bilh\u00f5es para a ci\u00eancia avan\u00e7ar um mil\u00edmetro por ano.<\/p>\n<p>A tuberculose, hoje, tem cura, mas se morria no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Foi a ci\u00eancia que fez isso e n\u00e3o a boa vontade de algu\u00e9m. E hoje a ci\u00eancia est\u00e1 sendo negada e est\u00e3o tirando as pessoas que t\u00eam capacidade de gerar ci\u00eancia no Brasil. Da\u00ed voltamos a ter doen\u00e7as medievais. J\u00e1 tivemos surto de c\u00f3lera, retorno do sarampo, tudo isso como consequ\u00eancia do obscurantismo da compreens\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o temos que parar de vacinar?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. A vacina faz parte da ci\u00eancia. A gente est\u00e1 chegando num momento bem pr\u00f3ximo em que teremos uma vacina contra o coronav\u00edrus. A vacina contra gripe para idosos evita que se morra por gripe comum ou outras gripes. N\u00f3s estamos compreendendo a ci\u00eancia como ben\u00e9fica e os medicamentos dentro disso. Os medicamentos fazem bem para sa\u00fade quando ele \u00e9 indicado para aquela situa\u00e7\u00e3o, na dose certa e com menor custo poss\u00edvel para a sociedade e para o cidad\u00e3o. Quando bem prescrito, o medicamento \u00e9 um aliado da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Agora, a automedica\u00e7\u00e3o ou a popula\u00e7\u00e3o sendo convencida de tomar medicamento pela ind\u00fastria farmac\u00eautica, isso n\u00f3s n\u00e3o somos aliados. Inclusive, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de quinto mundo por permitir propaganda de rem\u00e9dios na televis\u00e3o. Em pa\u00edses s\u00e9rios, \u00e9 proibido propaganda de medicamento na televis\u00e3o, assim como \u00e9 de cigarro e de \u00e1lcool. No Brasil, antes, tinha de cigarro e \u00e1lcool.<\/p>\n<p>O medicamento tem que ser prescrito por um m\u00e9dico e n\u00e3o pela propaganda no hor\u00e1rio da novela. Meu conselho, inclusive, \u00e9 que se saia da frente da televis\u00e3o e v\u00e1 conversar com o vizinho, com um amigo. \u00c0s vezes temos uma situa\u00e7\u00e3o em que um adolescente tem problemas com drogas e um pai se pergunta: \u201cO\u00a0que eu fiz para merecer essa situa\u00e7\u00e3o?\u201d.\u00a0A gente pode devolver a pergunta dizendo: \u201cO que tu n\u00e3o fez?\u201d. A gente entende que os pais chegam cansados do trabalho e querem relaxar, mas a crian\u00e7a ficou o dia inteiro sem os pais, ela quer o pai e a m\u00e3e. Vamos dar aten\u00e7\u00e3o, porque a gente se acostumou a chegar do trabalho e ligar a televis\u00e3o, mas a gente pode se acostumar a fazer como era antigamente: chega em casa, beija e abra\u00e7a o filho, pergunta como foi o col\u00e9gio, abre o caderno e v\u00ea se tem tema para ele fazer. A crian\u00e7a gosta de ter os pais preocupados com ela. A crian\u00e7a n\u00e3o pode ser secundarizada por conta de uma novela ou mesmo de um programa jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>Tem uma par\u00e1bola que eu lembro sempre. A crian\u00e7a pergunta para o pai quanto ele ganha por hora e ele diz que \u00e9 cerca de R$ 100,00. Ela come\u00e7a a juntar um dinheiro aqui, outro ali, e quando junta os cem, d\u00e1 ao pai e pede para ele ent\u00e3o ficar uma hora com ela. \u00c9 uma par\u00e1bola simples e que causa um sentimento profundo em quem a escuta.<\/p>\n<p>Quando estamos espertos e comunicativos, a gente n\u00e3o se assusta com o coronav\u00edrus. A gente vai querer saber o que est\u00e1 por tr\u00e1s de tanta not\u00edcia, se eu estou vendo todo o dia o pavor na TV e n\u00e3o vi at\u00e9 agora ningu\u00e9m com a doen\u00e7a. Nem eu que sou m\u00e9dico vi. Enquanto isso, 2 mil crian\u00e7as morrem de frio e de fome por hora no mundo.<\/p>\n<p><strong>Como saber se algu\u00e9m est\u00e1 com o v\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es que fazem com que a gente defina um caso como suspeito de coronav\u00edrus. J\u00e1 falamos de febre, dor de cabe\u00e7a, tosse seca e dor no corpo. Na primeira situa\u00e7\u00e3o, a suspeita se d\u00e1 se a pessoa apresenta febre e mais um desses outros sinais, somado ao contato com algu\u00e9m que esteja com suspeita. Outro caso \u00e9 se a pessoa tem febre, um dos sinais \u00e9 ter viajado para pa\u00edses como Alemanha, It\u00e1lia, China, Camboja, Ir\u00e3, Coreia do Sul e do Norte e todos os outros pa\u00edses que est\u00e3o no mapa de maiores n\u00fameros de casos no mundo. Ou ainda, ter um dos sinais citados, mesmo sem febre, mas ter tido contato com algu\u00e9m que tenha um caso confirmado. S\u00e3o esses os casos suspeitos que ser\u00e3o investigados.<\/p>\n<p><strong>O que determina se a pessoa teve contato?<\/strong><\/p>\n<p>Quando se esteve a menos de dois metros de uma pessoa com suspeita ou com caso confirmado, ou se esteve junto dentro de uma sala fechada. Se teve aperto de m\u00e3o, abra\u00e7o, beijo. \u00c0s vezes a gente recebe uma pessoa no aeroporto e d\u00e1 um abra\u00e7o, um beijo, por exemplo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, nada de p\u00e2nico, mas nada de nega\u00e7\u00e3o. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para n\u00e3o pegar gripe. Cuidar quando entra em sala de aula, num posto de sa\u00fade, em locais p\u00fablicos, quando se entra num local e se coloca a m\u00e3o na ma\u00e7aneta, onde muitas pessoas colocaram a m\u00e3o. O cuidado n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com o coronav\u00edrus, mas com outras tantas. Se botou a m\u00e3o na ma\u00e7aneta, quando d\u00e1 uma coceirinha no olho, n\u00e3o co\u00e7a com a m\u00e3o. Nem leva a m\u00e3o ao nariz e ou \u00e0\u00a0boca.<\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Ent\u00e3o, nada de p\u00e2nico, mas nada de nega\u00e7\u00e3o. Vamos tomar os cuidados que sempre tomamos para n\u00e3o pegar gripe.<\/strong><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o precisamos do coronav\u00edrus para a gente saber que precisa lavar as m\u00e3os, que quando se chega em casa, n\u00e3o devemos nos atirar em cima da cama com a roupa que veio de rua. Para a gurizada que veio da escola e sentou no ch\u00e3o, n\u00e3o tem nada de errado em sentar no ch\u00e3o, mas para se atirar na cama, antes toma um banho e bota uma roupa limpinha.<\/p>\n<p>S\u00f3 deve ir ao servi\u00e7o de sa\u00fade se tiver com esses sintomas, ou ainda se tiver falta de ar, febre que n\u00e3o ceda com medicamento, sem energia. Da\u00ed sim, p\u00f5e uma m\u00e1scara e vai no servi\u00e7o de sa\u00fade. Se essa pessoa for diagnosticada, vai ser tratada e isolada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es da Rede Soberania<br \/>\n<\/em>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/03\/16\/nada-de-panico-mas-nada-de-negacao-diz-medico-sobre-o-coronavirus\" target=\"_blank\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<div id=\"njcdgcofcbnlbpkpdhmlmiblaglnkpnj\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O emergencista Ronald Wolff fala sobre os interesses por tr\u00e1s do p\u00e2nico gerado pela doen\u00e7a e d\u00e1 dicas de preven\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2894,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-2892","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2892"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2895,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2892\/revisions\/2895"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.secpf.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}